Brasil e Peru unem-se para combater narcotráfico na fronteira
Brasília, 24 (AE) - O Brasil e o Peru vão iniciar uma ofensiva na fronteira dos dois países para combater os cartéis do narcotráfico que há anos se instalaram na Amazônia. O acordo para a realização de operações conjuntas será assinado na segunda-feira (27), em Lima, pelo secretário nacional Antidrogas
Walter Maierovitch e o presidente do Peru, Alberto Fujimori. Segundo o secretário, com a erradicação das plantações de coca, os grupos de produtores de pasta-base estão cada vez mais se aproximando da fronteira com o Brasil. "Vamos trocar informações e realizar ações conjuntas com o governo peruano", explicou, acrescentando que o trabalho será basicamente de repressão do narcotráfico.
"O Peru está fazendo um excelente trabalho de erradicação, com culturas substitutivas e, por isso, as organizações criminosas estão cada vez mais se aproximando da nossa fronteira". As deduções de Maierovitch não são novas. A Polícia federal, há mais de um ano, tem a relação de todas as organizações que atuam nesta região, principalmente utilizando território brasileiro como ponto de abastecimento de aviões usados no tráfico de drogas. Além disso, há levantamentos que mostram que a população de cidades do Amazonas e Acre estão sendo cooptadas pelo narcotráfico.
O secretário assinará com Fujimori um acordo de pacto operativo-cooperativo para as ações conjuntas. De acordo com Maierovitch, existem três cartéis que atuam no Peru: Cachique Rivera, Cristal (da família de Luís Lagos Naranjo) e Tio Rios (da família de Antônio Rios Lastra). O secretário lembrou que as organizações estão atuando próximo à fronteira com o Acre e que, por isso, é preciso uma ação internacional articulada para o combate ao narcotráfico no "trapézio amazônico": Tabatinga (AM) e Cruzeiro do Sul (AC) no Brasil, Letícia, na Colômbia e Santa Rosa (Peru).
"As organizações que estão no Peru e na fronteira com o Acre, na Serra do Moa, conseguiram fazer um anel de modo que a pasta básica boliviana, que é de pior qualidade que a peruana, esteja sendo levada, inclusive com passagem pelo território brasileiro, para refino na Colômbia". Segundo o secretário nacional Antidrogas, essa é uma situação de "emergência" e envolve a ação de Estados brasileiros, cooperação internacional e ações de inteligência.
Maierovitch afirma quea região Amazônica continua sendo uma rota de passagem de droga e de insumos químicos, que acaba tendo grande influência na economia local. "Todo mundo está pensando muito no Rio de Janeiro, mas se a gente resolver fechar a porta de Tabatinga, estará solucionando em parte o problema do Sudeste do País, do mesmo modo que se resolver o problema Cachique/Rivera e suas ramificações, estaremos solucionando o problema no Acre".





