Brasil e Peru se unem para combater tráfico
Agência Estado
De Brasília
O Brasil e o Peru vão iniciar uma ofensiva na fronteira dos dois países para combater os cartéis do narcotráfico que há anos se instalaram na Amazônia. O acordo para a realização de operações conjuntas será assinado na segunda-feira, em Lima, pelo secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch e o presidente do Peru, Alberto Fujimori. Segundo o secretário, com a erradicação das plantações de coca, os grupos de produtores de pasta-base estão cada vez mais se aproximando da fronteira com o Brasil.
O Peru está fazendo um excelente trabalho de erradicação, com culturas substitutivas e, por isso, as organizações criminosas estão cada vez mais se aproximando da nossa fronteira. A Polícia federal, há mais de um ano, tem a relação de todas as organizações que atuam nesta região, principalmente utilizando território brasileiro como ponto de abastecimento de aviões usados no tráfico de drogas. Além disso, há levantamentos que mostram que a população de cidades do Amazonas e Acre estão sendo cooptadas pelo narcotráfico.
O secretário assinará com Fujimori um acordo de pacto operativo-cooperativo para as ações conjuntas. De acordo com Maierovitch, existem três cartéis que atuam no Peru: Cachique Rivera, Cristal (da família de Luís Lagos Naranjo) e Tio Rios (da família de Antônio Rios Lastra). O secretário lembrou que as organizações estão atuando próximo à fronteira com o Acre e que, por isso, é preciso uma ação internacional articulada para o combate ao narcotráfico no trapézio amazônico: Tabatinga (AM) e Cruzeiro do Sul (AC) no Brasil, Letícia, na Colômbia e Santa Rosa (Peru).
As organizações que estão no Peru e na fronteira com o Acre, na Serra do Moa, conseguiram fazer um anel de modo que a pasta básica boliviana, que é de pior qualidade que a peruana, esteja sendo levada, inclusive com passagem pelo território brasileiro, para refino na Colômbia.
Maierovitch afirma que a região Amazônica continua sendo uma rota de passagem de droga e de insumos químicos, que acaba tendo grande influência na economia local.





