Brasil é oitavo em número de analfabetos
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina O 11° Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostrou que 164 países, incluindo o Brasil, não conseguirão atingir a meta de melhorar a qualidade da educação até 2015. Dados de 2011 mostram que, no ranking dos dez países com o maior número de adultos analfabetos, o Brasil ocupa a oitava posição, sendo que a taxa entre pessoas com 15 anos ou mais no Brasil é 8,6%, totalizando 12,9 milhões de brasileiros.
De acordo com o relatório, entre 2000 e 2011, a taxa de analfabetismo mundial entre adultos caiu apenas 1%. O número de adultos analfabetos em 2011 era 774 milhões e a projeção é que até 2015 esse número caia para 743 milhões. Segundo o documento, dez países respondem por 72% da população mundial de analfabetos, entre eles Brasil, Índia, China e Etiópia. Para cumprir o compromisso assumido no Acordo de Dacar, no Senegal, o Brasil deve chegar a 2015 com taxa de analfabetismo de 6,7%.
O compromisso "Educação para Todos", firmado no ano de 2000, trazia seis metas aos países: expandir os cuidados na primeira infância e educação; universalizar o ensino primário, promover as competências de aprendizagem e de vida para jovens e adultos, reduzir o analfabetismo em 50%, alcançar a paridade e igualdade de gênero e melhorar a qualidade da educação. Conforme informações do relatório, "é vital que se coloque em prática uma sólida estrutura educacional global pós-2015 para solucionar problemas pendentes e, ao mesmo tempo, lidar com novos desafios". Por isso, as metas continuarão em pauta depois do prazo.
Para a gerente de projetos do movimento Todos pela Educação, Andrea Bergamaschi, além de diminuir o índice de analfabetismo, é importante consolidar a educação básica dos alunos e olhar para a origem do problema. "Muitas pessoas não tiveram acesso à escola, passaram e não aprenderam, ou, ainda, não concluíram o Ensino Fundamental. Se formos avaliar todos essas situações, o número somado o de analfabetismo funcional - será muito maior." Por isso, segundo ela, tão importante quanto garantir a alfabetização é reter os alunos nas escolas e, então, conseguir, fechar de vez a "torneira" do analfabetismo.
Com o objetivo de diminuir os índices pelo País, governos estaduais lançam mão de programas junto aos municípios para viabilizar a Educação de Jovens e Adultos (EJA). No Estado, o Paraná Alfabetizado espera reduzir drasticamente os números este ano. De acordo com a chefe de departamento do EJA da Secretaria Estadual da Educação (Seed), Márcia Dudeque, 18 municípios do Estado já conseguiram chegar à taxa de 4% de analfabetismo. "Nosso principal desafio ainda é a fase 1, a inicial, de responsabilidade dos municípios." De acordo com ela, o Paraná apresenta uma taxa de 5,03%. Londrina, em 2000, tinha 7% e está com 4,5%
Novas perspectivas
Os ganhos podem parecer pequenos, mas para Cleide Ferreira Gomes, de 42 anos, aprender a ler e escrever, ainda que com dificuldades, abriu horizontes e novas perspectivas. "Nunca havia estudado antes, pois morei no sítio até os 13 anos. A primeira vez em que entrei numa escola foi em 2007, aos 36 anos. Acabei largando porque meus filhos estavam pequenos. Mas no ano passado retornei e terminei. É muito bom poder ir ao
mercado e entender os produtos, ler um bilhete ou pegar ônibus. Ser analfabeta me limitava muito, precisava pedir ajuda aos vizinhos.
Tinha muita vergonha de assumir isso para as pessoas. Agora, não quero mais parar", conta. (Com Agência Estado)


