São Paulo, 31 (AE) - O Brasil é o principal mercado para o novo produto da Overseas Private Investment Corporation (Opic), uma agência oficial dos Estados Unidos que financia investimentos privados em 144 países emergentes, com operações que somam US$ 19 bilhões. Trata-se de um seguro de mercado de capitais, que cobre a emissão de bônus no exterior do "risco político" dos chamados emergentes.
Assim, o investidor americano, comprador desses títulos, teria a garantia da Opic, quando da compra do título, contra riscos políticos em geral, especialmente a impossibilidade da conversão de reais em dólares. De acordo com o presidente da Opic, George Muñoz, as empresas se beneficiariam pela redução das taxas de juros entre 3 a 5 pontos percentuais ou até mais, dependendo do porte da empresa. Isso compensaria o custo da operação, de acordo com Muñoz.
O custo do seguro oscila entre 0,5% e um pouco mais de 1% do valor total segurado em dólares e estará disponível para as empresas de grande porte com projetos de expansão. "O custo é mais do que coberto pela redução dos juros devidos", explicou Muñoz que tem uma agenda cheia nesta semana, em São Paulo e Rio, de encontros com potenciais interessados neste novo produto.
O valor limite para cada operação é de US$ 200 milhões, mas uma empresa pode ter fazer mais de uma operação. "Haverá grande demanda porque a redução de custos será imediata", disse Muñoz. Segundo ele, a criação desse seguro foi solicitada pelo presidente Bill Clinton, visando a abrir o mercado de capitais para "boas empresas" instaladas em países emergentes que sofrem as dificuldades do mercado desde a crise asiática.
"As taxas de juros estão completamente desalinhadas do que poderia estar à disposição das empresas", completou Muñoz. "O capital disponível vem sendo fechado de maneira injusta para boas empresas."
Lançado no mês passado, o novo mecanismo de seguro já atraiu o interesse de cerca de 16 projetos que somam US$ 3 bilhões em vários países, incluindo a Argentina. A primeira operação já foi fechada na Túrquia, com uma nova linha de veículos da Ford em associação com uma montadora local. A cobertura é de US$ 200 milhões e a emissão conseguiu um classificação de risco mais favorável do que a destinada aos títulos soberanos do país.
Na tarde desta quinta-feira, Muñoz terá encontros, em separado, com o ministro Pedro Malan e com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em Brasília, além de outras autoridades do governo.
Ele levará uma mensagem do presidente Clinton: Os Estados Unidos continuam apoiando as medidas em execução e espera que as "medidas difícieis", que ainda precisam ser feitas, sejam executadas.
"O sofrimento (da economia) de curto prazo irá melhorar. Essa é a nossa esperança, porque muitas coisas certas foram feitas para melhorar a economia, embora ainda existam decisões difíceis a serem tomadas. O Brasil precisa dessa economia moderna para oferecer um nível de vida decente para os seus cidadãos", disse.
Cabe aos Poderes Legislativo e Executivo, segundo Muñoz, executar essa tarefa, numa referência à votação das reformas estruturais da economia, como a da Previdência e a Tributária. Segundo ele, a Opic está de olho no desenvolvimento do País a longo prazo. "O Brasil é a âncora da América Latina e, portanto
os Estados Unidos e as instituições financeiras internacionais, como o FMI, estão sempre atentos às necessidades de um País tão importante", afirmou Muñoz.

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