O Brasil já ocupa a terceira colocação na América Latina no consumo de anfetaminas, ficando atrás apenas da Argentina e Chile, onde há fabricação clandestina de psicotrópicos. Segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas (UNDCP), divulgado ontem no Brasil, as mulheres brasileiras estão consumindo duas vezes mais medicamentos tranquilizantes que os homens.
Se a situação persistir, o Brasil poderá voltar a viver o mesmo problema enfrentado nas décadas de 60 e 70, quando os psicotrópicos tornaram-se comuns entre a juventude. ‘‘A epidemia daqueles anos pode voltar a acontecer se não houver um controle sobre o uso e prescrição dos medicamentos’’, alerta o presidente do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), Luiz Mathias Flach. Segundo o documento do UNDCP, dois terços dos 241 produtos medicinais vendidos por laboratórios americanos para o Brasil, Quênia, Panamá e Tailândia, não tinham informações suficientes para serem prescritos com segurança.
Para o diretor executivo do UNDCP no País, José Manuel Martínez-Morales, o Brasil ainda não saiu na dianteira no consumo de anfetaminas, porque a Argentina e Chile possuem produção clandestina. No entanto, ele alerta que os medicamentos para emagrecimento, usados principalmente pelas mulheres, mantêm os altos índices entre os consumidores brasileiros.
O relatório produzido pela UNDCP foi baseado em informações dos governos. O Brasil é pouco citado, já que não tem grande representação no cenário mundial e sul-americano. ‘‘O tráfico de drogas é feito normalmente pela Colômbia, Bolívia e Peru, que detêm 98% do mercado mundial’’, diz o diretor executivo do UNDCP para a América Latina e Caribe, Aldo Lale-Domez. ‘‘Somente 2% da droga produzida no continente passa pelo Brasil’’.
Entretanto, Domez alertou para o aumento de produção de cocaína pela Bolívia. Segundo ele, a droga poderá ser exportada para o exterior por intermédio dos portos do Sudeste e Sul do País. ‘‘O consumo no Brasil também poderá aumentar’’, observa Domez. ‘‘Além disso, as facilidades de exportação da cocaína para o exterior poderá ser maior, utilizando transportes legais, como os contêineres de navios.’
A tendência da modificação das rotas também deve-se à repressão sofrida pelo narcotráfico na Colômbia e Peru. O tráfego aéreo, que antes era intenso, hoje é limitado, principalmente na fronteira dos dois países com o Brasil. Na Amazônia, a Polícia Federal brasileira instalou cinco postos de fiscalização e conseguiu desbaratar uma das maiores quadrilhas de traficantes que atuavam na região há vários anos.

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