O Brasil é o segundo país do mundo em número médio de pessoas vítimas de acidentes químicos. De acordo com levantamento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em conjunto com entidades de pesquisa de outros países, o Brasil tem média de 62,7 óbitos por acidente com vazamento de substâncias químicas. O País só é superado pela Índia, onde a média de mortes em ocorrências desse tipo é de 246,1.
O pesquisador Marcelo Firpo de Souza Porto, coordenador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cest) da Fiocruz, disse que entre 1945 e 1991 foram registradas 815 mortes no Brasil em 13 acidentes químicos ampliados. São considerados ampliadas as ocorrências com mais de cinco vítimas e que provocam problemas de saúde futuros ou imediatos para a população, além de danos ambientais e perdas econômicas. No mesmo período, a Índia registrou 18 acidentes, com 4.430 mortes.
Para Marcelo Porto, o problema no Brasil é causado por uma ‘‘combinação de fatores’’, entre eles a falta de uma legislação específica para os estabelecimentos que trabalham com substâncias químicas. Além disso, ele critica a falta de uma fiscalização adequada nas indústrias. Também contribui para o elevado número de vítimas nos acidentes, o fato de haver moradias em áreas próximas a pólos químicos.
Representantes de sindicatos, de indústrias químicas e pesquisadores de várias instituições se reuniram ontem na Fiocruz para discutir o assunto e encaminhar ao Congresso Nacional uma solicitação para que o Brasil ratifique a convenção 174, criada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para diminuir o número de acidentes químicos no mundo.
A convenção foi criada em 96 e, de acordo com Marcelo Porto, o prazo de 18 meses para que seja ratificada pelos países termina em novembro. ‘‘Queremos pressionar o governo para que adote a convenção, que seria o ponto de partida para uma política específica sobre o setor no Brasil’’, afirmou o pesquisador.
O mais grave acidente químico já registrado no País foi em 1984, na favela de Vila Socó, em Cubatão, quando um vazamento num gasoduto da Petrobrás provocou um incêndio no qual morreram 508 pessoas. Na Índia, o pior acidente ocorreu em Bopal, quando vazou uma substância tóxica de uma fábrica norte-americana. A nuvem tóxica atingiu cerca de 200 mil pessoas, sendo que 2.500 tiveram morte imediata, mas estima-se que pelo menos dez mil moradores da região foram contaminados.

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