São Paulo, 17 (AE) - O Brasil e o México retomam em 1º de fevereiro negociações para definir as bases de um acordo de preferências (redução) tarifárias. Dois anos depois de as negociações terem ficado interrompidas, a meta é agora incrementar o fluxo comercial entre os dois países, que estagnou nos últimos dois anos.
A missão diplomática à Cidade do México será presidida pelo embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário geral de Assuntos de Integração, Econômico e de Comércio Exterior, do Itamaraty. "Pretendemos definir, em três dias de reuniões, pelo menos as bases do acordo que vai gerar um valor relativamente representativo de comércio entre os dois países", antecipou o embaixador à Agência Estado.
Embora os três dias não sejam suficientes para fechar todo o acordo, Graça Lima disse que pelo menos será definido um universo de produtos com potencial de incremento de comércio entre o Brasil e o México, entre eles automotivo (carros, autopeças e motores), siderúrgico, petroquímico e alimentos. Outros setores, como eletroeletrônicos e têxteis, por exemplo, têm menos portencial, já que os dois países praticamente são concorrentes em seus mercados.
A negociação com o México, no âmbito da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração), faz parte da estratégia de "global trader" do Brasil de ampliar as suas exportações a um maior número de mercados. Acordo semelhante já foi assinado com a Comunidade Andina de Nações (CAN), da qual fazem parte a Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. O acordo com a CAN estabeleceu uma redução entre 10% e 100% nas alíquotas de importação de 300 produtos, entre eles eletrodomésticos, petroquímicos, têxteis e químicos. "A fixação de margens de preferência (redução tarifária) com o México será definida posteriormente", informou o embaixador.
Concluídas as negociações, o Brasil e o México devem definir o número de produtos que entrará no acordo e, depois, quais serão as reduções tarifárias. Graça Lima estima que as negociações se prolonguem por até um ano e meio. "Não vejo necessidade de estendê-las por mais tempo", acrescentou o embaixador.
Graça Lima disse que o eventual acordo preferencial com o México não deve provocar atritos com seus parceiros no Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai), já que tanto o governo argentino como o uruguaio concluíram recentemente acordos preferencias semelhantes, sempre no âmbito da Aladi. Indagado sobre a "quebra" das regras do Mercosul -- as negociações comerciais previstas são na base do 4 mais 1 -- por parte de brasileiros, argentinos e uruguaios, o embaixador respondeu que o próprio Mercosul "se autorizou" a fazer esse tipo de acordos
dadas as dificuldades encontradas para unir o bloco nesse tipo de discussões com outros países ou grupo de países. Fora isso, explicou o embaixador, "tratam-se apenas de acordos preferencias entre duas nações e não de criação de zonas de livre comércio".
FLUXO DE COMÉRCIO - O fluxo de comércio entre os dois países entre janeiro e novembro do ano passado não passou de US$ 1,8 bilhão. Mesmo com a desvalorização do real, as exportações brasileiras para o México nesse período estagnaram em US$ 918 milhões, mostrando uma ligeira queda de 0,6% em relação a 1998, quando somaram US$ 924 milhões. Já as importações brasileiras de produtos mexicanos caíram 39%, passando de US$ 919 milhões, entre janeiro e novembro de 1998, para US$ 561 milhões. Ou seja, a crise cambial brasileira não só estagnou as exportações brasileiras como reduziu as importações daquele mercado.
Isso não ocorreu, por exemplo, com o México. Depois da crise do Tequila, que provocou uma desvalorização de mais de 50% do peso mexicano, o México conseguiu alavancar as suas epxortações e hoje vende para o mercado externo o dobro do Brasil. Hoje, por exemplo, o Brasil consegue colocar apenas 2% de sua pauta de comércio no mercado mexicando, que tem um potencial de quase 100 milhões de habitantes e um PIB de US$ 450 bilhões. Os principais parceiros do México são os Estados Unidos e o Canadá, que absorvem 80% das exportações mexicanas.

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