Brasil e México podem assinar nos próximos dias acordo tarifário
Florianópolis, 04 (AE) - Brasil e México estão prestes a selar um acordo de preferências tarifárias onde poderão ser comercializados mais de 1.200 produtos brasileiros e mexicanos dos setores têxtil, químico, siderúrgico e automotivo. "Ainda não temos uma lista final de produtos. Mas é importante ressaltar que ela tanto poderá ser ampliada como reduzida", explica o subsecretário-geral de Assuntos de Integração Econômica e Comércio Exterior do Ministério das Relações Exteriores, embaixador José Alfredo Graça Lima. A primeira rodada de negociações ocorreu em Brasília, na semana passada, e o próximo encontro entre os representantes dos dois países acontece entre os dias 17 e 19 de abril, na Cidade do México.
O México é o único país da América Latina que ainda não negociou um acordo comercial com o Brasil. De acordo com o subsecretário Graça Lima, que esteve hoje participando da reunião da Câmara de Comércio Exterior na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o comércio global entre os dois países, ou seja a soma das exportações e das importações, gira hoje em torno de US$ 2 bilhões. A partir deste acordo, que deverá estar selado em cinco meses, determinados produtos brasileiros e mexicanos terão tarifas preferenciais. "O acordo deverá ser o mais abrangente possível, mas não é uma isenção de impostos", alertou o embaixador.
Antes mesmo de fechar um acordo com o Brasil, o México já sinalizou sua intenção em negociar com o setor automotivo nacional. A tarifa para a exportação de veículos brasileiros seria reduzida de 20% para 8%. "A redução estaria dentro desse espírito de ampliar a preferência", acredita o subsecretário. Segundo ele, dois produtos são muito bem aceitos hoje no mercado mexicano. O Classe A, da Mercedez Benz, e o Gol, da Volkswagen.
Mercosul - O embaixador lembra que até recentemente a produção brasileira era dirigida para o comércio interno, e isso era considerado normal em um País de base agrícola. "Até hoje o país carece de uma mentalidade de produzir para exportar".
A "grande virada" ocorreu no governo de Fernando Collor, onde, "em um gesto de grande repercussão", foram eliminadas todas as medidas não tarifárias, lembra o embaixador. Surgiu o Mercosul como união aduaneira, foi lançada a idéia de livre comércio para as Américas e o Brasil procurou a integração com outros países latino-americanos.
Para o sub-secretário, o Mercosul é uma história recente
de "êxito" incontestável. "Em 93 as exportações eram de apenas US$ 5 bilhões, em 98 elas passaram para US$ 20 bilhões. Isso mostra o vigor do bloco", avalia o embaixador. Segundo ele
o Mercado Comum do Cone Sul ainda não é uma união aduaneira perfeita, mas o seu grande desafio é tornar-se uma plataforma de exportação.





