São Paulo, 24 (AE) - Os governos do Brasil e México estão prestes a fechar um acordo bilateral para intercâmbio de veículos e autopeças isento de impostos. Num modelo muito parecido com o que Brasil e Argentina não estão conseguindo acertar para o Mercosul, as discussões reunirão, na Cidade do México, os representantes da indústria no dia 1º e os dois governos no dia seguinte. Pelo otimismo dos fabricantes de veículos, este acordo poderá ser firmado antes do regime automotivo do Mercosul. Com isso, o Brasil reduzirá a dependência do mercado argentino e ampliará contratos com o México.
O intercâmbio comercial total entre Brasil e México soma US$ 2 bilhões por ano. Deste total, US$ 350 milhões saem do setor automotivo. Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, a participação aumentará significativamente assim que o acordo bilateral for assinado.
O presidente da Anfavea esteve com o subsecretário geral de Assuntos de Integração Econômica e Comércio Exterior do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, na semana passada para acertar o apoio do governo à iniciativa. Graça Lima representará o Brasil na reunião com o governo mexicano no dia 2.
Oito montadoras instaladas no Brasil também têm fábricas no México. Isto facilita muito o acordo. "Podemos fazer o contrato hoje e começar a exportar e importar amanhã", disse Pinheiro Neto. No ano passado, o Brasil exportou para o México o equivalente a US$ 250 milhões em veículos e importou volume que rendeu faturamento de US$ 100 milhões.
A balança comercial do setor automotivo destes dois países costumava resultar em superávit para o México até 1998. Com o deslocamento da produção do Golf, da Volkswagen, daquele país para Curitiba, o resultado se inverteu. Grande quantidade de componentes, incluindo motores acabados, também entram no intercâmbio hoje. Segundo os fabricantes, não há no México oposição a uma balança flexível, como tem acontecido nas negociações com os argentinos.
Com o acordo, o Brasil deixará de recolher alíquota de Imposto de Importação de 35% quando comprar veículos mexicanos. O Imposto de Importação de carros brasileiros vendidos no mercado mexicano é de 20%. O setor de autopeças também deverá participar da negociação. Assim como a proposta para o Mercosul, o acordo deverá prever conteúdo local mínimo. A idéia da indústria é fixar o mínimo de 60% de peças feitas no próprio país em cada carro montado em qualquer um dos dois lados.
EUA e Argentina - O governo mexicano também tem interesse em negociar o acordo com o Brasil para reduzir a dependência do mercado americano. Hoje, do total de 1,5 milhão de veículos produzidos anualmente naquele país, 1 milhão seguem para o mercado norte-americano.
Do lado do Brasil, há interesse em reduzir a dependência da Argentina. Cerca da metade das exportações de veículos e componentes fabricados aqui seguem para a Argentina, enquanto que o México absorve 6% das vendas externas do setor.
Em 1997 o México era o oitavo maior comprador do setor automotivo brasileiro, com 1,8% do total. No primeiro lugar estava a Argentina (58,4%) seguida pela Itália (8,1%), que representa um destino importante das exportações da Fiat.
Já em 1998, o México saltou para o terceiro lugar, passando a absorver 5,7% das exportações da indústria automotiva instalada no Brasil. A Itália ficou com 9% e a Argentina com 54 7%. A Anfavea já encaminhou aos governos proposta para acordos bilaterais também com Chile, Venezuela, e áfrica do Sul.

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