Brasil e mais sete países formam bloco de combate à Aids
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra- Os governo do Brasil, Índia, China, Tailândia, África do Sul, Rússia, Nigéria e Uganda formaram um grupo para atuar juntos no combate à Aids e contrabalançar as posições dos países ricos nos debates internacionais sobre as estratégias contra a doença.
Ontem, em Genebra, ministros da Saúde dos oito países emergentes se reuniram e acertaram que o bloco assinará uma declaração conjunta em Bangcoc, em julho, para tentar fazer prevalecer sua posição no cenário internacional. ''Teremos a capacidade de ser ouvidos na elaboração de uma polícia mundial de combate à Aids'', afirma Humberto Costa, ministro da Saúde.
O documento deve incluir, entre vários pontos, a idéia de se lançar uma estratégia para criar uma nova geração de pessoas livres da Aids. O bloco pressionará os demais governos a garantir o acesso a remédios e preservativos para todos. O grupo trocará informações sobre estratégias de tratamento da Aids, debaterá cooperação técnica e atuará de forma coordenada em uma eventual quebra de patentes de um medicamento produzido por uma empresa multinacional.
Na avaliação de Costa, o bloco reduziria as pressões das empresas e dos governos ricos em caso de países em desenvolvimento terem que quebrar patentes. ''Formado por países com um grande número de consumidores, o bloco poderia reduzir a capacidade dos países ricos para pressionar'', afirmou Costa, lembrando que estão no grupo China e Índia, dois importantes fabricantes de genéricos no mundo.
Para Paulo Teixeira, diretor do Departamento de Aids da OMS, a idéia é positiva e pode ter um impacto real nos debates internacionais sobre como lutar contra a aids. Mas Teixeira, que foi o implementador do Programa de Aids no Brasil nos anos 90, lembra que a aproximação do Brasil a outros países emergentes foi iniciado durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Na quarta-feira alguns integrantes do bloco - Brasil, Índia e África do Sul - começarão a testar a aliança e apresentarão uma proposta de estratégia de combate à aids durante a Assembléia Mundial da Saúde. No documento, os países apontarão para a necessidade de que remédios sejam distribuídos a todos. Já para o encontro em Bangcoc, o bloco estará aberto a novas adesões.


