Brasil é exemplo no combate à Aids
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quinta-feira, 11 de julho de 2002
Agência Efe 
Barcelona - O tratamento e a prevenção da Aids na América Latina é desigual, compreendendo desde os avanços conseguidos no Brasil à difícil situação da América Central, segundo informações divulgadas ontem por um grupo de especialistas na XIV Conferência Internacional, em Barcelona.
Os especialistas destacaram que o Brasil é um exemplo na luta contra a Aids, enquanto a América Central é uma das regiões do mundo que mais preocupam as autoridades da ONU. Estima-se que nos países centro-americanos os infectados pelo vírus da Aids possam alcançar em uma década números semelhantes aos registrados na África.
Em 1992, previa-se que o Brasil, um país com cerca de 170 milhões de habitantes, teria em 2000 por volta de 1,2 milhão de soropositivos. Mas esse número chegou à metade devido à política de controle iniciada nos últimos anos.
Forçado pela pressão do movimento social, o Governo do Brasil decidiu ignorar o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre proteção de patentes por razões urgentes de saúde pública e começou a fabricar as versões genéricas dos remédios contra a Aids.
Hoje, as autoridades brasileiras distribuem gratuitamente aos infectados cerca de 15 remédios antiretrovirais, oito dos quais são produzidos no próprio país na versão genérica, e o resto, comprado a preços reduzidos graças aos acordos com as empresas.
''Não há um modelo brasileiro de luta contra a Aids; existem princípios universais de respeito aos direitos do homem, explicou o coordenador das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids no Brasil, Paulo Roberto Teixeira.
Esse foi o argumento que centrou um dos debates desta conferência, onde se destacou que ''os programas para a prevenção, tratamento e cuidado da Aids têm que ser postos na perspectiva de que os direitos das pessoas infectadas estejam no centro de todas as iniciativas e decisões''.
A República Dominicana e a Argentina também desenvolveram estratégias parecidas, nas quais se consideram elementos muito positivos a máxima participação dos doentes de Aids na sociedade e a solidariedade das comunidades locais.


