Brasil e EUA se juntam no Projeto Genoma Câncer
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De São Paulo, SP 
Uma dezena de cientistas estrangeiros e 40 brasileiros vão se debruçar até sábado sobre milhões de fragmentos sequenciados de genes expressos de tumor e de tecidos normais em que tumores aparecem. Essa vai ser a primeira fase de análise do Projeto Genoma Câncer, que vai unir os dados das pesquisas americanas - que reuniram cerca de 1,5 milhão de fragmentos de genes - com os das brasileiras, que contam com 1,2 milhão desses fragmentos.
''Estamos voltando às origens da genômica, que é a melhor compreensão do câncer, e não uma corrida para ver quem sequencia o maior número de genes primeiro'', disse Andrew Simpson, que coordena o Projeto Genoma Câncer brasileiro no Instituto Ludwig. ''O estudo que mais vai se beneficiar da genômica é o do câncer'', afirmou.
Na prática, esse não é um trabalho de laboratório, mas algo a ser feito diante de 20 terminais de computador. O objetivo dos pesquisadores é identificar genes tumorais que possam servir de marcadores, tanto para o diagnóstico da doença como futuros alvos para tratamento.
Os especialistas costumam dizer que o câncer não é uma doença, mas várias. Duas amostras de tecido tumoral que ao microscópio parecem idênticas, podem ser, na verdade, dois tipos diferentes de tumor, que vão reagir diversamente ao mesmo tratamento, com desfechos igualmente variados para o paciente. O trabalho de análise é o primeiro passo para determinar a ''identidade'' de cada câncer e, a partir daí, desenvolver tanto novos testes de diagnóstico como estratégias melhores de tratamento.
''Vamos juntar dois conjuntos de dados obtidos por metodologias diferentes, o americano, que sequencia as extremidades dos genes, e o brasileiro, que sequencia a porção mais central'', explicou Bob Strausberg, diretor do departamento de Genômica do Câncer do Instituto Nacional do Câncer dos EUA.
''Nunca existirá uma droga milagrosa para o câncer, mas creio que teremos meios de saber qual será a melhor droga para usar em cada caso individual'', afirmou Walter Bodmer, professor de genética da Universidade de Oxford.


