Brasil e Cuba firmam convênio para troca de informações no combate ao vírus da aids
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 30 (AE) - O Brasil passará a dispor de tecnologia cubana para realizar no País exames de Western Blot, que servem para identificar infecção pelo HIV. Um convênio firmado hoje entre os dois países permitirá que Cuba repasse para a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) o know how do teste desenvolvido por seus pesquisadores. "Os cubanos avançaram bastante na tecnologia Western Blot", comentou hoje o coordenador do programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST-Aids) do Ministério da Saúde, Pedro Chequer. O Brasil, em troca, fornecerá ao governo cubano os conhecimentos da Fiocruz sobre testes anti-HIV, com tecnologia de imonuflorescência.
O convênio prevê ainda que Cuba receberá informações estratégicas de prevenção, gerenciamento e uso da rede de informações eletrônicas, experiências bem sucedidas no Brasil. O diretor de epidemiologia e coordenação de aids do governo cubano
Manoel Santin Peña, disse que o Brasil tem "um programa bem forte e estruturado" de prevenção da doença. Estatística - Mas enquanto no País 155.590 pessoas foram infectadas pelo vírus da aids desde 1980, em Cuba são apenas 858
notificadas a partir de 1986. O perfil dos contaminados também difere, porque entre os brasileiros a doença se propoga pelo uso de drogas, transfusão de sangue, de mãe para filho e por parceiros sexuais. Entre os cubanos, o contágio ocorre especificamente por transmissão sexual. "Hoje, as infecções são basicamente por vias sexuais", informa Peña.
Segundo ele, desde 1987, o governo cubano vem investindo pesadamente no controle rigoroso do sangue e hemoderivados. "Essa medida reduziu praticamente a zero as transmissões por essa via", comenta o diretor. O País de Fidel Castro também conseguiu controlar a transmissão vertical, de mãe para filho. Peña diz que a alta escolaridade das mulheres contribui para que elas mesmas, quando engravidam, procurem fazer o teste de HIV, oferecido na rede pública de saúde a voluntárias. Em caso de resultado positivo, as mulheres podem até mesmo abortar ou, se preferirem, recebem todo o tratamento com AZT para evitar o contágio. "A maioria aborta, porque sabe que as crianças vão morrer logo depois de nascer", revelou. O tratamento com AZT durante a gravidez tem mostrado eficiência, mas o risco de contaminação não é eliminado totalmente. Sem problemas com drogas, com a transmissão vertical e o sangue controlados, sobra para Cuba preocupação com o contágio sexual. Peña diz que 65% dos infectados são homossexuais ou bissexuais. A prioridade do governo, afirma, é promover o uso do preservativo, principalmente entre os jovens, uma "tarefa difícil", segundo Peña, porque exige mudança de comportamento.


