Brasil e Colômbia fecham acordo para recuperar preços do café14/Mar, 21:29 Por Gecy Belmonte Brasília, 14 (AE) - - Brasil e Colombia acertaram hoje um compromisso para definir uma estratégia comum visando a recuperação do preço do café no mercado internacional. A cotação do produto está hoje entre as mais baixas da história. Uma das medidas deverá ser a redução da exportação dos dois países a partir de maio. O governo brasileiro também se comprometeu a não vender mais que sua cota de exportação, firmada com a Associação dos Países Produtores de Café (APPC), para este ano, de 17 milhões de sacas. A estratégia a ser seguida por Brasil e Colombia - os dois maiores produtores mundiais de café - foi acertada durante reunião do ministro da Agricultura, Marcos Pratini de Moraes, com o presidente da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colombia, Jorge Cardenas, hoje. Cardenas disse que a ação do Brasil e da Colômbia é definitiva para ordenar o mercado de café. Na avaliação dele, uma política de restrição às exportações deverá vigorar, no mínimo, por dois anos, sendo necessário retirar entre 4 milhões e 5 milhões de sacas do produto no mercado mundial para que os preços se reequilibrem. Pratini de Moraes adiantou que, como parte do programa de ordenamento das exportações de café, o Brasil e a Colombia já reduziram, desde a semana passada, em 30 dias o prazo de embarque das exportações. Ele lembrou ainda que o governo dispõe de R$ 500 milhões para financiar a pré-comercialização do café na safra deste ano. A quantia é suficiente para reter 5 milhões de sacas em poder do produtor até que os preços melhorem. Pratini enfatizou que o governo brasileiro vai cumprir as cotas fixadas pela APPC para este ano. No ano passado, essa cota foi de 15 milhões de sacas, mais o País acabou exportando 21 milhões de sacas. A política de retenção a ser seguida pelo Brasil e pela Colômbia e estendida aos demais produtores de café será embasada em um gatilho de preços. Esse gatilho, elaborado com base em valores coletados pela Organização Internacional do Café (OIC), permitirá que as exportações sejam liberadas toda vez que a cotação do produto atingir determinado preço a ser fixado pela APPC. Prazo - A aprovação final do programa deverá ser feita na reunião do Conselho da entidade, segunda semana de abril, em Londres. "Vamos conversar não só com os produtores de café arábica, mas com os de robusta também", disse Pratini, enfatizando a necessidade de buscar a adesão de todos os países ao programa de valorização dos preços do café. Cardenas explicou que o programa de ordenamento do café é necessário porque, apesar da quebra nas safras mundiais, os preços do produto continuam em queda. A safra da Colômbia, por exemplo, que deveria ser este ano de 12 milhões de sacas, ficará em torno de 9 milhões. Com isso, as exportações colombianas, que eram de 11,5 milhões de sacas, serão reduzidas para 8 milhões. "Precisamos ajustar a oferta para não termos mais excedentes, para não transferir mais café para os importadores" alertou. O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, enfatizou que, se não for tomada nenhum providência para limitar as exportações de café, na metade do ano - quando houver escassez do produto -, os importadores ditarão as regras, especulando preços à vontade. "Mais uma vez, o produtor sairá perdendo", observou. Ximenes afirmou que o preço ideal para a saca do produto que hoje é de US$ 120,00, deveria ser de US$ 150,00. "Os atuais preços são inaceitáveis", na avaliação do ministro Pratini de Moraes. Cardenas observou que o Brasil e a Colômbia vão "redesenhar a política do café" e fazer com que produtores membros da APPC ou não, participem dela.

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