São Paulo - A cada três dias um homossexual é assassinado no Brasil. Em 2007, 122 gays morreram dessa forma, o que faz do Brasil o campeão mundial de assassinatos de homossexuais. A afirmação é do antropólogo e presidente do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, que ontem concedeu entrevista à Rádio Nacional.
O segundo país em número de assassinatos anuais é o México, com uma média muito abaixo da brasileira: 35 homicídios. Na sequência, aparecem os Estados Unidos, com uma média de 25 casos por ano.
Mott afirma que de janeiro último ao dia 14 de abril, o grupo contabilizou 49 assassinatos de homossexuais no Brasil.
Para ele, é preciso erradicar esse tipo de crime sob pena de o país passar para a História como o mais homofóbico do mundo. ''Vivemos um verdadeiro 'homocausto''', disse o antropólogo.
Ele afirmou que o número de travestis mortos é o que mais cresce. ''Há uma tendência nova. Os travestis sempre representaram 25% a 30% dos casos de mortes. Neste ano, eles são metade dos casos'', disse. ''Como eles representam uma faixa de 30 mil habitantes brasileiros, então as chances de um travesti morrer assassinado é 259 vezes maior do que um gay do sexo masculino''.
Ele afirmou que os dados são coletados na internet e nos jornais. ''Não existem estatísticas oficiais sobre assassinados gays''. Para o antropólogo, isso é reflexo do descaso das autoridades com esse segmento da população.
''É fundamental que o governo institua aulas de educação sexual em todos os níveis escolares para ensinar o respeito ao homossexual e ao travesti'', disse. ''É preciso que gays e lésbicas saiam do armário, assumam sua identidade e denunciem quando forem ameaçados''.

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