Em cerca de dois anos, Brasil e Argentina estarão com seus sistemas elétricos interligados. A medida servirá para vendas mútuas de energia, dependendo da necessidade de cada um dos dois países.
As negociações estão sendo feitas entre a Eletrobrás e uma empresa privada argentina.
Pelo acordo, a Argentina vai vender permanentemente mil megawatts de energia ao Brasil, para suprir o sistema em momentos de escassez, principalmente em períodos de seca.
Por outro lado, quando o Brasil tiver energia sobrando, poderá vendê-la para a Argentina.
‘‘Mesmo tendo excedente de produção, os argentinos poderão economizar comprando nossa energia, porque metade das usinas deles são térmicas - movidas a gás natural, carvão ou derivados de petróleo -, que implicam em altos custos com combustível’’, avaliou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Altino Ventura Filho. ‘‘Com esse acordo, os dois países têm muito a ganhar’’, acrescentou o diretor.
O Brasil consome 55 mil megawatts de energia em horários de pico. A demanda de energia elétrica no País cresce 6% ao ano.
O consumo da Argentina é pouco mais de 20% do brasileiro: 12 mil megawatts.
Para interligar os sistemas dos dois países, a empresa argentina vai instalar na fronteira com o Rio Grande do Sul um módulo de conversão de frequência da energia, que passará dos 60 ciclos utilizados no país vizinho para os 50 ciclos adotados no Brasil.
O intercâmbio com a Argentina só será possível devido a uma medida que está sendo adotada no Brasil: a interligação de todo o sistema elétrico nacional. Até o final deste ano, a Eletrobrás deverá concluir uma linha de transmissão unindo a Hidrelétrica de Serra da Mesa, no Estado de Goiás, com uma central de distribuição em Imperatriz, no Estado do Maranhão.
Na prática, essa nova linha, com cerca de mil quilômetros de extensão, vai permitir a interligação dos sistemas Sul/Sudeste/Centro-Oeste e Norte/Nordeste.
Desde 1981, cada um desses sistemas já funcionava de maneira integrada. Mas eles estavam isolados um do outro por falta de uma linha de transmissão que os unisse.
Com a entrada em operação desse circuito, todas as usinas do País - térmicas e hidrelétricas - convergirão para um único sistema de distribuição.
Na opinião de Ventura Filho, a medida vai permitir um melhor aproveitamento do potencial energético, contribuindo inclusive para evitar racionamentos.
‘‘Como o Brasil é muito grande, pode acontecer, por exemplo, seca no Norte/Nordeste e enchente no Centro/Sul’’, explica o diretor-geral.
‘‘Enquanto haveria racionamento numa região, a cheia seria desperdiçada pelos vertedouros das usinas da outra região, por falta de mercado. Com a interligação, geramos mais energia aqui e a mandamos para lᒒ, complementa Ventura Filho.
Segundo o diretor-geral de Itaipu, todas as hidrelétricas passarão a produzir mais, permitindo que sejam desligadas as usinas térmicas que são mantidas no País como reserva do sistema.
A macrorregião Sul/Sudeste/Centro-Oeste representa, atualmente, 80% do consumo brasileiro. O Norte/Nordeste responde pelos outros 20%.
Maior hidrelétrica do mundo, Itaipu produz hoje um terço da energia do sistema Centro/Sul, no qual está inserida.
Com a interligação, sua produção - que, no ano passado, atingiu 89,2 milhões de megawatts/hora - será responsável pelo abastecimento de 25% de todo o País.

mockup