Buenos Aires, 29 (AE) - Permanecem estancadas em Buenos Aires as conversações sobre as restrições sanitárias argentinas às importações de frangos brasileiros. A crise dos frangos, que vem se arrastando de forma intermitente entre os dois países há três anos, foi retomada na sexta-feira passada, quando o servico sanitário de alimentos da Argentina, o Senasa, determinou unilateralmente que no Brasil existe a doença de Newcastle, que é fatal para estas aves. Por esse motivo, emitiu uma resolução na qual os carregamentos de frangos provenientes do Brasil terão que passar por um rígido controle sanitário, o que tornará mais lenta e burocratizada a entrada dessas aves na Argentina. O Brasil sustenta que a doença foi erradicada há anos.
O otimismo exuberante do dia anterior em que se apostava por uma solução rápida foi trocado por expressões de desânimo nos rostos das duas equipes. Ao longo do dia de hoje, os representantes dos dois governos não conseguiram chegar a acordo algum, pois os argentinos sustentaram que o Brasil não forneceu informações suficientes.
Segundo a resolucao do Senasa, a medida que restringe a entrada de frangos começaria a vigorar a partir de amanhã. No entanto, em um diplomático ataque de amnésia, o secretário da Agricultura da Argentina, Antonio Berhongaray, declarou que a medida "só entra em vigor a partir do dia 3 de março", possibilitando desta forma maior prazo para que as duas equipes de técnicos consigam sair do impasse. O ministro da Agricultura do Brasil, Marcus Pratini de Moraes, foi mais realista, e disse que a Argentina estava suspendendo a medida por uns dias. Não estava definido por quanto tempo ainda os técnicos sanitários brasileiros permaneceriam em Buenos Aires.
O secretário Berhongaray afirmou que uma equipe de técnicos argentinos poderia ir ao Brasil em breve para analisar in loco a hipotética existência da doença. A seu lado, para reforçar a idéia de que não existe a doença no Brasil, Pratini de Moraes declarou que em maio a Organização Internacional de Epizootias (OIE) declarará o País como "livre da doença de Newcastle".
Além disso, Pratini de Moraes e Berhongaray declararam que já haviam começado a redação do marco do acordo sanitário geral anunciado no dia anterior, e que estaria pronto em 30 dias. Com este acordo, pretende-se evitar os atuais conflitos por questoes sanitárias, estabelecendo-se padrões comuns.
Comerciantes a favor - Ao contrário da maioria dos empresários deste país, a Câmara de Comércio da Argentina (CAC) está pedindo o fim das medidas protecionistas tomadas recentemente a favor de diversos setores da economia argentina contra o Brasil. Segundo o presidente da CAC, Jorge Di Fiori, estas medidas "atrapalham o livre comércio da região". O pedido formal foi feito hoje ao vice-chanceler Horacio Chighizola.
Os empresários da CAC querem que o setor privado participe mais ativamente das negociações do Mercosul, e também solicitam a criação de tribunais especiais de arbitragem, que resolvam os conflitos comerciais entre os dois países.

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