São Paulo, 16 (AE) - O Brasil e a Argentina estão próximos de um acordo sobre o regime comum automotivo, que deve entrar em vigor a partir de janeiro do próximo ano. A princípio, o novo regime permitará um "comércio bem administrado" de veículos na região, principalmente nos mercados brasileiro e argentino, antecipou à Agência Estado uma alta fonte do governo.
Embora o mecanismo ainda não esteja totalmente definido, a base para esse "comércio bem administrado" seria o estabelecimento de quotas negocidas entre as montadoras, durante um período de transição, que se estenderia do ano 2000 até 2004.
Nesse período de quatro anos, essas quotas poderiam ser ampliadas de forma paulatina, até chegar a um verdadeiro regime de livre comércio de veículos, conforme determinam os preceitos de um mercado comum regional.
A fonte do governo disse que, se as montadoras não chegarem a um acordo, os governos dos dois países serão obrigados a arbitrar uma solução "com base em interesses recíprocos". De acordo com essa fonte, envolvida nas negociações do regime comum automotivo do Mercosul, existe um "amplo entendimento" sobre a delicada situação da indústria automobilística argentina, que ficou ainda mais crítica com a desvalorização do real no início deste ano.
"Temos consciência desses problemas, razão pela qual o regime comum automotivo deve determinar, a princípio, um livre comércio não-pleno", acrescentou essa fonte. Ele explicou que o livre comércio de veículos ocorreria somente depois do período de transição. "Até lá, as quotas poderiam ser ampliadas de forma paulatina e sempre de pleno acordo entre as montadoras", informou.
Embora o esboço do regime comum automotivo regional esteja quase finalizada, ainda existem alguns problemas que precisam ser resolvidos. Um deles, por exemplo, é a inserção do Paraguai e do Uruguai nesse regime comum, dominado praticamente pelas montadoras brasileiras e argentinas. Essa fonte reconheceu que o maior problema no momento é o da indústria de autopeças. "Acredito que até o final do ano consigamos estabelecer um regime comum, que entraria em vigor em janeiro de 2000", declarou.

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