Brasil e Argentina enfraquecem Mercosul, alerta especialista
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 27 (AE) - As políticas agressivas de exportação e de contenção de importações do Brasil e da Argentina estão deformando, desestruturando e enfraquecendo o Mercosul. O alerta é do vice-presidente executivo da Associação de Empresas Brasileiras para a Integração no Mercosul (Adebim) e Associação Brasileira dos Executivos de Comércio Exterior, Michel Alaby.
Para piorar o quadro comercial da região, cada um dos países do Mercosul iniciou negociações bilaterais com outras nações ou blocos, quebrando, praticamente, o esquema definido como 4 mais 1 no Tratado de Assunção (Brasil, Argentina Paraguai e Uruguai com outros interessados em integrar o bloco do Cone Sul).
Alaby disse que a adoção de medidas antidumping contra aço brasileiros por parte da Argentina, por um lado, e a ameaça de o Brasil recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), por outro, estão praticamente "minando" o Mercosul. "Nenhum dos dois países parece esta disposto a sentar e negociar as suas diferenças", reclamou Alaby.
Ele concorda que a desvalorização do real provocou parte dessas diferenças na área comercial. "O importante seria os dois governos sentarem á mesa para negociar, mas parece que não estão fazendo isso", afirmou.
Alaby disse ainda que, se os contenciosos comercias e as diferenças se intensificarem, o Mercosul corre o risco de transformar-se em uma nova Associação Latinoamericana de Integração (Aladi).
A Aladi funciona, de forma genérica, sobre a base de acordos preferenciais bilaterais que beneficiam produtos de determinados setores. A maiora desses acordos, entretanto, caducou, mas alguns foram renovados. Isso ocorreu recentemente entre os três parceiros do Brasil no Mercosul com o México.
Agora, o governo brasileiro começou correr atrás e deve aproveitar a visita do presidente mexicano, Ernesto Zedillo, para retomar as negociações que foram interrompidas em novembro de 1997. "Esse tipo de acordo não funciona, não existe mais e a Aladi está morrendo por isso", disse Alaby.
Ele acredita o enfraquecimento do Mercosul é favorável para os interesses dos Estados Unidos, que sempre buscaram uma oportunidade para impor condições na área comercial. "Ou o setor privado do bloco toma as rédeas do processo de consolidação do Mercosul, definindo, por exemplo, algumas restrições voluntárias, ou o Mercosul vai afundar política e comercialmente", alertou Alaby.
Ele afirmou que a imposição de US$ 410 por tonelada para o aço brasileiro, ante US$ 315 para o aço russo, por exemplo, é totalmente discriminatória. "Isso é ilegal. A discriminação pode ser contra alguma empresa, mas nunca contra um país", afirmou. "O problema é que o Brasil não fez nada até agora, a não ser ameaçar. O caso deveria ter ido pelo menos para a Comissão do Mercosul e, depois, para o Tribunal Arbitral de Solução de Controvérsias", disse.
A preocupação sobre os efeitos da crise econômica internacional, que desencadeou políticas protecionistas em diversos países, entretanto, extrapola o plano regional. Esta semana, os Estados Unidos alertaram o Grupo dos 7 (G-7) sobre a necessidade de evitar que a crise financeira de 1998 se transforme em uma crise de comércio mundial este ano.


