Ney de SouzaPolêmicaGoverno argentino e ecologistas argumentam que os sobrevôos prejudicam o ecossistema e chegam a alterar os hábitos de aves e animaisUma comissão binacional está discutindo desde o dia 9 a regulamentação dos vôos panorâmicos de helicóptero sobre as Cataratas do Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Argentina. Integram a comissão técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Secretaria de Recursos Naturais e Ambiente Humano da Argentina, da Força Aérea dos dois países e um representante da empresa Helisul, que opera os vôos. O grupo tem 90 dias para concluir o trabalho.
Na prática, a medida encerra uma polêmica que ameaçava gerar um grande conflito diplomático. Em abril, o governo argentino estabeleceu um prazo - que terminaria em 5 de maio - para que os vôos fossem suspensos.
Se essa advertência não fosse obedecida, a Argentina ameaçava romper um convênio internacional que unifica o tráfego aéreo na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). O rompimento desse convênio poderia inviabilizar parte das operações nos aeroportos de Foz do, Puerto Iguazú (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai).
O governo argentino e entidades ambientiais internacionais - entre elas a organização Green Peace - argumentam que os vôos de helicóptero sobre as Cataratas, feitos geralmente a baixa altitude, prejudicam o ecossistema do parque e chegam a alterar os hábitos das aves e dos animais. Além disso, o barulho e a simples presença dos aparelhos na área prejudicariam a qualidade da visitação.
Os vôos, que acabam ‘‘invadindo’’ o espaço aéreo argentino, são realizados há 25 anos pela empresa Helisul Táxi Aéreo, de Foz. Há alguns anos, o governo da Argentina proibiu o vôo de helicóptero sobre as Cataratas em seu território.
O assunto foi um dos temas discutidos pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, durante encontro realizado no final de abril no Rio de Janeiro. Foi nesse encontro que os dois governos decidiram criar a comissão para regulamentar os vôos. As negociações entre os dois presidentes puseram fim à advertência argentina de romper o convênio aéreo tripartite.
O estudo para a regulamentação dos vôos sobre as Cataratas será comandado pelo ministro brasileiro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, e pela secretária de Recursos Naturais e Ambiente Humano da Argentina, Maria Julia Alsogaray.
Os principais pontos discutidos serão a altura e a frequência dos vôos e a provável mudança do heliponto (local de pouso e decolagem dos aparelhos), hoje localizado às margens do Rio Iguaçu e a poucos metros das Cataratas. O Ibama já estuda um local mais distante para a instalação do heliponto.
Além disso, o grupo vai debater também outras formas de preservação ambiental dos 237 mil hectares de mata subtropical distribuídos entre os dois países. A área é considerada Patrimônio Natural da Humanindade pela Unesco.
(Colaborou Claudio Salvador, de Misiones)

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