Brasil e Argentina continuam liderando consumo de drogas na AL
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 23 (AE) - O Brasil avançou em sua política de combate e prevenção às drogas, mas continua, ao lado da Argentina, a ser o País líder no consumo de substâncias psicotrópicas na América Latina, segundo o relatório divulgado hoje (23) pela Junta para o Controle Internacional de Entorpecentes, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
O documento ainda coloca o Brasil como um dos maiores produtores de maconha do continente, mas ressalta que novas legislações implantadas no País no último ano, como a lei contra lavagem de dinheiro, e a ação positiva do governo no combate à corrupção dentro das polícias, contribuíram para uma diminuição acentuada no tráfico.
O relatório não aponta números, mas ressalta que o abuso de substâncias psicotrópicas é uma das maiores preocupações no Brasil. "Uma diminuição no abuso dessas substâncias já foi relatada no Chile, enquanto Argentina e Brasil ainda estão procurando superar dificuldades de implementação relacionadas à grande extensão de seus territórios", diz o documento.
A Junta para o Controle Internacional de Entorpecentes está preocupada com o crescente abuso de tranquilizantes e substâncias de tipo afetamina, como o ecstasy, conforme apontou pesquisa feita em hospitais, particularmente no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.
Outra preocupação da ONU é quanto ao consumo de crack em vários países da América do Sul, inclusive o Brasil. As pesquisas feitas pela Junta em hospitais mostraram que o uso da cocaína e seus derivados está crescendo na população de faixa etária entre 30 e 39 anos.
Mas um dos principais problemas continua sendo o alto consumo e produção de maconha no Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai e Suriname. "A extensão do cultivo ilícito de maconha na América do Sul é desconhecida", afirma o relatório da ONU.
O presidente da Junta, Hamid Ghodse criticou a discussão sobre a descriminalização da maconha, afirmando que isso ocasiona uma atitude negativa em relação ao abuso de drogas.
"A Junta tem notado e lamentado que os possíveis usos medicinais da maconha estejam sendo utilizados para justificar a legalização de seu uso em geral", diz Ghodse.
O documento aponta pesquisas que mostram que a droga continua sendo a principal responsável pela iniciação de jovens ao uso de entorpecentes, já que seu uso está sendo frequente entre a população de 15 a 19 anos.
"Os esforços dos governos e organizações internacionais têm levado a uma diminuição das áreas de cultivo e plantio de coca, a mais importante cultura ilegal na América do Sul", ressalta o relatório da ONU, observando, porém, que a redução no cultivo do arbusto de coca em algumas áreas é rápida e facilmente compensada por novas plantações em outras áreas.
A posição do Brasil, apesar dos problemas relacionados às substâncias psicotrópicas, é boa no relatório da ONU. "No Brasil, a lavagem de dinheiro passou a ser considerada crime", relata o documento, acrescentando que no País, por ser a maior economia e o maior mercado financeiro da região, as medidas eram uma necessidade".
O relatório recomenda ao Brasil prevenir o abuso e uso indevido de substâncias psicotrópicas produzidas legalmente no País, fortalecendo a capacidade operacional da polícia. Além disso, deve reforçar as exigências de registro, controle e inspeção dos produtos.
A ONU recomendou, ainda, que a prescrição de substâncias psicotrópicas por meio de fórmulas para manipulação, bem como o fornecimento dos produtos pelos farmacêuticos e, além de tudo, por pessoas não qualificadas precisam ser interrompidas. "A prática é um dos mais importantes fatores que contribuem para o abuso de estimulantes e substâncias sob controle internacional"
alerta o relatório.


