Paris, 27 (AE) - Brasil e Argentina poderão caminhar juntos para impor uma política de taxas de câmbio flutuantes ao conjunto da América Latina. Essa tendência parece se confirmar, enquanto a experiência argentina de câmbio fixo, segundo insistentes comentários de diversos analistas de bancos franceses e europeus, parece estar chegando ao fim. A Argentina estaria preparando uma importante revisão de sua atual política cambial, estudando a melhor hora para implantá-la. Segundo fontes bancárias européias, atualmente o peso argentino, a exemplo do que ocorreu com o real até sua desvalorização, está sobrevalorizado em mais ou menos 25%.
Segundo o analista do Banco Sudameris, Jean Yves Chalumeau, é uma pena que no momento em que a economia brasileira dá sinais positivos de recuperação, surjam "escândalos preocupantes", como o que envolve atualmente o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. Chalumeau confirma que esse acontecimento é inquietante para a direção do Sudameris. O grupo espera ser esse um caso isolado, que os culpados sejam punidos, encerrando-se rapidamente esse escândalo que pode deteriorar a imagem brasileira junto aos meios financeiros internacionais.
Ainda hoje, o vespertino Le Monde revelou que no momento em que os números são favoráveis ao Brasil, o Banco Central está sendo manchado por denúncias de irregularidade de gestão, encontrando-se "no coração de um escândalo" com as acusações contra seu ex-presidente.
Nesses últimos dias, são também evidentes os sinais de recuperação da economia, os fundamentos são bons, citando-se a revisão dos números da recessão. Há três meses a previsão era de um PIB a menos 5 %, taxa revista para apenas menos 2%, segundo revelação feita nos EUA pelo novo presidente do BC, Arminio Fraga. Dessa forma, segundo Chalumeau, a recessão brasileira finalmente não será mais importante do que a Argentina, país até agora tido como aluno exemplar pela comunidade internacional.
Jean Yves Chalumeau disse também que o Brasil pretendia emitir US$ 2 bilhões de títulos e acabou emitindo US$ 3 bilhões (US$ 1 bilhão suplementares de obrigações Brady). Se quisesse, diz Chalumeau, poderia ter colocado até US$ 6 bilhões, marcando sua volta ao mercado internacional de forma muito positiva e muito antes do que se esperava. Para continuar nesse caminho, o Brasil deverá implementar, segundo o analista, suas reformas de estrutura.
Sem as reformas, essa evolução positiva poderá ser estancada, apesar da fase mais negra da crise já ter sido ultrapassada. Outro número citado pelo representante do banco francês foi o relativo a inflação. Michel Camdessus havia previsto uma taxa de 12% este ano e os mais pessimistas apostavam em 20%, mas a taxa verdadeira está na média das duas: 16 %. Para Chalumeau, a estabilidade deve estar de volta a partir do ano 2000 com uma taxa de apenas um digito.

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