Buenos Aires, 10 (AE) - Representantes do Brasil e da Argentina começaram a analisar a convergência macroeconômica dos dois países. A delegação brasileira está composta por Daniel Gleizer, diretor do departamento internacional do Banco Central do Brasil, e Sergio Werlang, diretor de Política Econômica do BC brasileiro. Além deles, participa Marcos Caramuru de Paiva, diretor de Assuntos Exteriores do Ministério da Fazenda. A magnitude dos enviados brasileiros indica que as conversações não serão puros exercícios teóricos, mas que determinarão uma política real de convergência macroeconômica.
A idéia da convergência foi anunciada pela primeira vez em julho do ano passado, durante um encontro entre o então presidente Carlos Menem e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, ambos presidentes disseram que estavam pensando elaborar um "Maastricht" mercosulino.
O Secretário de Finanças da Argentina, Daniel Marx, afirmou que as conversações atuais sobre convergência macroeconômica não incluem a discussão sobre a moeda única do Mercosul. Segundo ele
entre os temas que serão analisados estão a convergência dos índices e a integração dos mercados de capitais. Analistas consideram que a existência de programas do FMI para os dois países facilitará o trabalho, já que estabelecem patamares para a proporção do déficit fiscal em relação ao PIB tanto no Brasil como na Argentina.
O secretário argentino afirmou que o Mercosul terá "uma moeda comum", embora não "uma moeda única", reforçando as especulações do uso de uma terceira moeda coexistindo com o real e o peso. Em declarações ao jornal "El Cronista", Marx sustentou que esta fórmula permitiria manter um regime de liberdade para a entrada e retirada de capitais que existe hoje na Argentina, e que segundo ele, "é ao que o Brasil também tende".
As reuniões começaram hoje (10) no edifício do Ministério da Economia, em Buenos Aires, e se prolongarão até sexta-feira. Os resultados destas reuniões servirão de base para os anúncios que os presidentes FHC e Fernando De la Rúa realizarão na próxima cúpula de presidentes do Mercosul, que será realizada em junho em Buenos Aires.

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