Uma semana após o boicote canadense à carne bovina, o Brasil foi acusado ontem de suspender a importação do trigo norte-americano, alegando o risco de contaminação do produto por uma praga ‘‘inexistente’’.
A US Wheat (associação que reúne o setor triticultor) enviou anteontem carta ao Usda (Departamento da Agricultura dos EUA) e ao representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, protestando contra a medida tomada pelo Ministério da Agricultura do Brasil.
Segundo a US Wheat, o trigo norte-americano está livre do nematóide Angina tritici, que ataca o trigo, mas o Brasil ainda usa essa praga para impedir a importação do produto.
Uma missão de técnicos brasileiros deve ir aos EUA no próximo dia 28, a fim de levantar informações e coletar amostras do produto, procedimentos necessários ao reconhecimento de que as lavouras norte-americanas estão protegidas contra a praga.
‘‘O Brasil tem uma longa e crescente história de, arbitrariamente, erguer estas barreiras (fitossanitárias)’’, diz a nota da US Wheat.
Segundo o analista de mercado Leopoldo Saboya, da Trigonet, moinhos do Nordeste compraram, na semana passada, 25 mil toneladas do trigo tipo ‘‘soft red winter’’, usado na produção de biscoitos e confeitos. O contrato prevê entrega no próximo mês, mas há o risco de a carga ser barrada. O problema é que o governo brasileiro exige que importação só seja feita com a apresentação de um documento declarando que o produto é proveniente de área livre de Anguina tritici, diz Saboya.
Em outubro passado, o ministro Pratini de Moraes (Agricultura) havia concordado com o Usda em reabrir o mercado brasileiro ao trigo norte-americano. ‘‘Houve um erro de comunicação entre os dois países. O caso não tem relação com a disputa entre Brasil e Canadᒒ, afirma o analista.
A reportagem não conseguiu comentar o caso com o Ministério da Agricultura.

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