Brasil deverá integrar força militar de paz para o Timor
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sábado, 11 de setembro de 1999
Por SANDRA SATO e V¶NIA CRISTINO 
Brasília, 12 (AE) - O Brasil só está esperando uma decisão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para integrar a missão internacional de ajuda a Timor Leste.
A expectativa do Ministério das Relações Exteriores é que a decisão da ONU será tomada rapidamente, tão logo cheguem a Nova York os cinco embaixadores de países membros do CS que estavam em Jacarta, capital da Indonésia.
Entre os que apelaram para que a Indonésia acatasse a ajuda internacional estava o representante do Brasil na Organização das Nações Unidas, embaixador Gelson Fonseca Jr.
Seu pronunciamento defendendo a posição brasileira foi feito ontem durante reunião do Conselho de Segurança.
O governo brasileiro já havia recebido informação de que o ministro da Defesa da Indonésia, general Wiranto, tinha recomendado a Habibie a aprovação da força de paz internacional.
O Itamaraty ainda não sabe qual será a decisão da ONU. Isso porque a Organização poderá optar por autorizar a Austrália a chefiar a força internacional, em vez de montar e administrar diretamente uma missão.
A vantagem dessa estratégia seria permitir que 4 mil soldados australianos, já em prontidão, pudessem entrar na capital timorense, Dili, imediatamente. Nesse caso caberá à Austrália dizer que tipo de ajuda necessitará de países que, como o Brasil, já se ofereceram para participar da missão.
Entre eles estão Grã-Bretanha, França, Nova Zelândia, itália e Portugal. Os EUA vão enviar ajuda para o transporte de tropas, comunicações e logística da força de paz, mas não devem enviar homens, informou ontem a Casa Branca.
De acordo com o Itamaraty, a participação do Brasil poderá ser mais rápida - e sem necessidade de aprovação do Congresso Nacional - se a ajuda a ser solicitada for o envio de uma força-tarefa de engenheiros e médicos, por exemplo.
No caso de envolver as Forças Armadas será preciso encaminhar uma mensagem do Presidente da República ao Congresso Nacional .
A reunião de emergência da ONU, anteontem, para tratar da questão de Timor Leste foi feita a pedido do Brasil e Portugal. O embaixador Fonseca Jr. reiterou, na ocasião, que o País está pronto a juntar-se ao esforço de manter a paz e a estabilidade em Timor Leste. "Contribuíremos para qualquer força internacional tão pronto seu mandato seja aprovado pelo Conselho de Segurança", disse.
Fonseca Jr, o primeiro a discursar a reunião, advertiu que a Indonésia deve cumprir o compromisso de manutenção da lei e da ordem em Timor Leste, assumido nos Acordos de Maio em que foi aprovado o plebiscido sobre a autonomia ou independência na ex-colônia de Portugal.
"A vontade timorense deve ser respeitada e atendida", cobrou o embaixador brasileiro, afirmando ainda que "a violência no Timor deve cessar".


