São Paulo, 9 (AE) - O economista Robin Bew, do grupo britânico The Economist (ao qual pertence a revista, uma das mais importantes do mundo na área), prevê que o Brasil retome o crescimento no ano que vem. Para isso, afirmou ele, o País terá de realizar a reforma fiscal e obter novamente a confiança dos investidores internacionais, podendo, assim, baixar as taxas de juros. Bew falou ontem (8) à noite a uma platéia de empresários e executivos na conferência "Exporta, Brasil".
Apesar de a onda de pessimismo pós-desvalorização já ter sido superada, Bew afirma que os empresários que pensarem a curto prazo poderão esperar um ano difícil, pois a maxidesvalorização traz consequências que não podem ser desprezadas. "1999 será um ano de dificuldades para os negócios de vocês", afirmou.
De acordo com os estudos do grupo The Economist, a economia brasileira não chegou a retrair em 1998, com crescimento de 0,2%. Em 99, os economistas britânicos projetam um encolhimento de até 5,5% na economia do Brasil. No ano 2000, estimam crescimento de 2,8%, na melhor das hipóteses, isto é, se o País realizar a reforma fiscal, controlar os déficits público e privado e evitar a volta da inflação.
ásia - De acordo com ele, os países asiáticos são um exemplo de que o terremoto da desvalorização, ocorrido em 97, pode ser superado em cerca de dois anos. "Os países da ásia, com exceção da China e da Indonésia, devem retomar o crescimento no fim deste ano", afirmou Bew. "As economias da ásia devem voltar a expandir no ano 2000, mas não terão crescimento de 6%, como nos melhores anos".
Bew disse que a economia da China já está em retração. "Mas o país deve evitar ao máximo uma desvalorização, pois ela teria péssimas consequências para o bloco asiático neste momento."
Ocidente - O economista afirmou que a Europa ocidental também não terá crescimento este ano. "Os bancos e empresas do continente estão mais expostos ao risco da globalização do que as companhias da América do Norte, pois investiram mais na América Latina e ásia".
Segundo ele, o futuro da economia global depende agora do que ocorrerá nos EUA. Se o país mais próspero do mundo conseguir evitar uma retração econômica, a economia mundial poderá entrar numa nova fase de crecimento a partir de 2002, acredita ele.

mockup