Brasil deve renegociar acordo e dívida externa, diz Jeha
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 01 (AE) - O acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o pagamento da dívida externa devem ser renegociados pelo governo porque as condições em vigor são impraticáveis. A avaliação é do empresário Roberto Nicolau Jeha, um dos diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Apesar da falta de credibilidade do País no exterior, Jeha acredita que o FMI, o G-7 (o grupo dos sete países mais ricos do mundo) e os banqueiros internacionais deveriam fazer um aporte financeiro ao Brasil que desse sustentação ao real. "O aporte, previsto no acordo com o FMI, está sujeito a condicionalidades", disse o empresário, sugerindo um novo empréstimo sem condições a serem observadas.
"O País está de joelhos diante do Fundo", disse Jeha, propondo que o governo negocie "de maneira firme, mas preservando a soberania brasileira". Para isso, segundo ele, será necessária a adoção de uma nova política econômica que não aceite imposições "absurdas", como o FMI monitorar as contas do Banco Central ou o acompanhamento do Tesouro norte-americano, caso as reservas internacionais fiquem abaixo de R$ 20 bilhões.
De acordo com Jeha, o governo precisa recuperar sua credibilidade interna, mais do que se preocupar com o mercado externo, já que "esse pessoal é insaciável". A reação dos investidores não preocupa o empresário que acha que o Brasil "não precisa fazer o que o FMI sugere". Ele citou as críticas que o Fundo recebe pelas políticas adotas nos países asiáticos e na Rússia, para demonstrar que nem sempre as melhores políticas são as escolhidas.


