Brasil deve negociar diretamente com bancos, propõe Pastore
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 11 (AE) - O economista Affonso Celso Pastore disse hoje, em palestra na Fundação Getúlio Vargas (FVG-RJ), que o governo não depende do apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) para se reaproximar dos bancos internacionais e recuperar as linhas de crédito à exportação perdidas a partir da moratória russa, em agosto de 1998. Pastore rejeitou, no entanto, um rompimento entre o Brasil e FMI, como defende o economista norteamericano Jeffrey Sachs, para quem o governo brasileiro deveria "esquecer" o Fundo. "Isso é uma briga pessoal do Jeffrey", comentou.
Nos cálculos de Pastore, desde a crise russa, o Brasil já perdeu cerca de US$ 15 bilhões de linhas de financiamento de comércio exterior. A volta das linhas de crédito é um dos fatores que podem reduzir a necessidade de moeda norteamericana no futuro, segundo o economista.
Ao analisar o acordo do Brasil com o FMI, Pastore concluiu que, se a procura do dólar for menor, haverá um controle da inflação e, em consequência, espaço para reduzir os juros e estabilizar a economia. "Mas isso depende de muitos se", alertou. Apesar disso, ele mostrou esperança com o acordo, que comparou a um "quebra-cabeça que faz algum sentido".
Uma outra peça do quebra-cabeça, afirmou Pastore, é a redução das importações e o aumento das exportações, em decorrência da recessão e da desvalorização do real. Com este fenômeno, ele espera que o déficit em conta corrente do Brasil caia de US$ 34 bilhões para a faixa entre US$ 16 bilhões e US$ 18 bilhões. Esta redução, lembrou, também diminui a necessidade de moeda norteamericana, ao lado da volta das linhas de comércio.
A parcela de US$ 8 bilhões liberada pelo FMI nesta semana também vai acalmar o mercado de câmbio porque vai garantir o pagamento de dívidas do Brasil no exterior que vencem nos próximos quatro meses, lembrou Pastore. Outro ponto do acordo citado por ele é a produção do superávit primário (que exclui gastos com juros) pelo governo.
Na sua palestra, o economista acentou que países cujo déficit público sofrem uma forte influência da taxa de juros, como o Brasil, não conseguem atrair recursos, elevando ainda mais esta taxa. O efeito seria produzir maior expectativa de inflação e desvalorização da moeda.


