Rio, 17 (AE) - O secretário de Produtos de Base do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Robério Silva, quer que o setor produtor de café brasileiro busque uma maior integração com o segmento internacional para garantir crescimento de mercado com um equilíbrio adequado de preços. Silva insiste que é preciso uma coordenação internacional para que o setor não amargue problemas como os que têm sido identificados com outras commodities, a exemplo do açúcar.
"Não quero que o café tenha os mesmos problemas do açúcar, nós podemos colocá-lo num círculo virtuoso", disse Silva na abertura da segunda edição do Seminário Internacional do Café, que acontece até amanhã (18) no Rio.
Silva voltou a insistir que a Associação dos Países Produtores de Café (APPC) tem cumprido em parte este papel. Na semana passada, durante o Seminário de Café no Cerrado, que ocorreu em Patrocínio (MG), o secretário já havia defendido que o Brasil terá que cumprir os acordos que forem firmados na próxima reunião da Associação, com relação ao volume das cotas a serem exportadas para o próximo ano cafeeiro.
O secretário criticou duramente a posição brasileira que desrespeitou as cotas de exportação este ano, ultrapassando o volume acordado junto à APPC. Considerou que a atitude tomada prejudicou a credibilidade do País junto aos demais membros da APPC.
Hoje no Rio, Silva voltou a insistir que se os produtores brasileiros buscarem aumentar sua participação através de exportações em grandes volumes, sem a preocupação com a manutenção de preços, a consequência será uma queda acentuada destes valores. "Temos de ter em mente que somos fornecedores de preços, e não tomadores", frisou.
UNCTAD - O secretrário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), embaixador Rubens Ricúpero, também defendeu uma cooperação internacional para reforçar o comércio exterior. Para o embaixador, o setor cafeeiro deveria buscar aprimorar um sistema de certificação de depósitos de café, que permitiriam, segunda sua avaliação, acesso facilitado a créditos mais baratos e consequente redução de custos.
Como exemplo, Ricúpero lembrou o caso do México, onde toda a colheita de café e açúcar é financiada por uma empresa norteamericana, consequência direta da confiabilidade dos Estados Unidos no sistema de certificação de depósitos daquele país.
O embaixador vai se encontrar amanhã, em Brasília, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, para apresentar a proposta da UNCTAD de iniciar os trabalhos de cooperação internacional para incremento das exportações.

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