Brasil deve captar até US$1 bi com eurobônus, dizem analistas
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Reali Júnior 
Paris, 6 (AE) - Depois da crise financeira do final do ano passado, o Brasil está de volta ao mercado financeiro europeu preparando o caminho, através de um "road show"em diversas capitais européias para a captação de recursos no mercado de eurobônus. Esse lançamento constitui para os meios financeiros europeus o primeiro grande teste da credibilidade e confiança na economia brasileira após a crise no ultimo trimestre do ano passado.
Numa reunião fechada hoje em Paris, organizada pelo "Crédit Suisse"e "Dresdner Bank" da Alemanha para investidores institucionais, o secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Marcus Caramuru, efetuou uma exposição da evolução da situação brasileira, procurando responder às principais críticas e esclarecer as dúvidas ainda existentes dos investidores.
Essas apresentações que estão sendo feitas quase que simultaneamente em diversas capitais como Paris, Lisboa, Londres
Zurique, Madri e Frankfurt, deverão estar encerradas até quinta feira, quando será definido o montante da operação financeira e as taxas de juros do lançamento . Acredita-se que esse valor poderá atingir até 1 bilhão de dólares. Outras fontes, mais modestas, adiantam somas entre 500 e 600 milhões de dólares. Esse lançamento deverá ocorrer nos próximos dias, possivelmente ainda antes do fim da semana.
O primeiro passo foi dado em abril, quando da captação de 2 bilhões de dólares no mercado americano , além da renovação de títulos da ordem de 1 bilhões de dólares, logo após a reunião do BID, em Paris.
Agora, o país se volta para o mercado europeu para aproveitar sua grande liquidez atual e suas taxas de juros mais baixas. Apesar da preocupação dos dois bancos que deverão liderar a operação, Credit Suisse e Dresdner Bank, em não permitir o vazamento de informações para a imprensa sobre esse lançamento, sabe-se que o prazo será de 3 anos e que a taxa de base atingiria 6 pontos acima a dos títulos em euro, atualmente inferior a 3% . Levando-se em conta também as taxas de risco, acredita-se que os juros poderão chegar a 11%.
Uma fonte do Dresdner Bank explicou hoje em Paris que a alta taxa de risco se deve ao fato dos "países emergentes terem ainda um bom pedaço de caminho a percorrer para recobrar a confiança do mercado".
Para Christopher Tuffey, diretor do Credit Suisse, "não há dúvida de que atualmente é possível se obter no mercado de euro taxas mais baixas do que no mercado de dólar".
Segundo Marcus Caramuru, o objetivo brasileiro nessa operação é de estabelecer os parâmetros do mercado, o que servirá de referência para operações futuras, imaginando lançamentos brasileiros no setor privado ou empresas estatais. O representante do governo brasileiro lembrou que o dado mais importante é o fato de se tratar de um primeiro lançamento no mercado de eurobônus. Esse mercado encontra-se em franca expansão, tendo os lançamentos atingido no primeiro semestre deste ano um total 787 bilhões dólares, 15 % apenas em libra e yen e o restante dividido entre euro e dólar.


