Genebra- A Organização Mundial da Saúde (OMS) irá propor um novo acordo com o governo brasileiro para ampliar a produção de vacinas contra a febre amarela, financiando a compra de milhões de doses até o final do ano. Depois dos casos registrados no Brasil e no Paraguai este ano, a agência mundial de saúde se deu conta que seus estoques não estão sendo suficientes para lidar com crises e ainda manter as campanhas de vacinação na África e América Latina.
''Chegamos a uma situação crítica. Há uma instabilidade e fragilidade no sistema'', afirmou Michael Ryan, diretor do Departamento de Alerta a Epidemias da OMS. Segundo ele, a entidade tem hoje apenas 6 milhões de doses nos estoques, após ter emprestado 4 milhões para o Brasil e 2 milhões para o Paraguai nas últimas três semanas. A agência de saúde garante que o Brasil irá restituir as doses até abril, mas mesmo assim prevê que a comunidade internacional precisará contar com uma base maior.
Para Ryan, a vacinação será fundamental para lidar com a febre amarela nos próximos anos, já que não há sinais de que o problema desaparecerá. ''Não usamos de forma efetiva as vacinas nas últimas décadas. Agora, podemos ver uma explosão da febre amarela em zonas urbanas'', alertou.
Ele garante que o mundo tem como evitar uma epidemia, mas que ações coordenadas e investimentos serão necessários. ''Teremos um orçamento de US$ 58 milhões para comprar vacinas dos únicos três fornecedores existentes no mundo que estão certificados: Farmanguinhos, Instituto Pasteur do Senegal e Sanofi'', explicou Ryan. ''Nossa idéia é triplicar os estoques, mas para isso precisamos que os laboratórios produzam mais'', explicou.
Neste ano, a OMS promoverá campanhas de vacinação para 3,6 milhões de pessoas no Togo, 2 milhões em Camarões, 3 milhões no Senegal e 7,5 milhões em Burkina Fasso. ''Nossos estoques estão sob forte pressão. Estamos em nossos limites e isso não é bom'', alertou Ryan.
A OMS levou um susto em janeiro quando o Brasil, uma peça fundamental no fornecimento de vacinas, avisou que iria interromper as exportações para atender sua própria população. Para complicar, o governo pediu 4 milhões de doses emprestadas.
O problema é que, para expandir a produção, os laboratórios somente fariam investimentos se contassem com a garantia de que as doses teriam mercado garantido e alguém para comprá-las. Isso porque a vacina de 0,60 centavos de dólar não gera praticamente lucros. ''Estamos preparando um plano de produção que será enviado nas próximas semanas à Farmanguinhos'', afirmou Ryan, apontando que o mundo tem hoje a capacidade de produção de 30 milhões de doses.
Segundo a OMS, os surtos no Paraguai e no Brasil estão controlados, com apenas um caso suspeito por semana. Mesmo assim, nas Américas, os dois primeiros meses do ano já somou um número maior de pessoas infectadas que nos doze meses de 2007. No ano passado, a região contou 42 ocorrências, contra 55 em 2008.

mockup