A vida simples e aprazível dos poucos habitantes da fronteira do Brasil com a Colômbia faz com que pareçam incríveis a preocupação e o temor de que este belo cenário de 1.644 km de mata vírgem amazônica desperta atualmente no Exército brasileiro. Entretanto, desde que começou a tomar forma o Plano Colômbia, um projeto de Bogotá para erradicar plantações de coca, pacificar o país e reativar a economia, o governo brasileiro pôs em estado de alerta os sete pelotões de fronteira com o país vizinho e seus serviços de inteligência em Brasília.
‘‘Por enquanto, reforçamos a vigilância e planejamos criar mais um pelotão na região. Os efeitos, se houverem, vão demorar a chegar. Vamos estar atentos para bloquear qualquer movimento de um país estrangeiro em nossa direção’’, afirmou o general Clóvis Bandeira, responsável pelo Comando Militar da Amazônia (CMA). No total, 2.400 homens patrulham a fronteira com a Colômbia, da localidade de Tabatinga, no Sul, que limita com Letícia, na Colômbia, passando pela ilha de Santa Rosa, já no Peru, até Cucuí, fronteiriça também com a Venezuela.
Além disso, um plano da Polícia Federal, denominado de Operação Cobra, começou a ser aplicado para fiscalizar o transporte de cocaína nesta região tremendamente despovoada, onde as comunicações são por rio ou avião. Enquanto os garimpeiros, índios e pescadores passeiam livremente dos dois lados da fronteira, o Estado brasileiro insiste mais do que nunca em marcar sua presença através de pelotões de selva, projetos sociais para criar novas aldéias, com a Polícia Federal, a presença de organizações humanitárias ou missionários.
Também nessa faixa de fronteira, mais de 60.000 índios que temem as invasões tanto como o Exército servem de alerta para a presença de qualquer estranho. Os militares asseguram que o Brasil não tem medo de uma transferência das plantações de cocaína para a Amazônia, ‘‘porque é uma região demasiadamente quente e pouco apta para isso’’ e também não acreditam que a guerrilha tenha como objetivo o Brasil.
‘‘Eles não têm interesse em vir para cá porque estariam entre dois fogos: o nosso e o do Exército colombiano’’, adianta o general. Por outra parte, o país observa com receio a colaboração dos EUA no Plano Colômbia, para o qual contribuíram com 1,3 bilhão de dólares, do total de 7,5 bilhões necessários para concretizá-lo. O país mais poderoso do mundo estará presente pela primeira vez na América do Sul e o Brasil quer divulgar aos quatro ventos onde começa seu território e até que ponto está disposto a defender sua soberania.