Agência Folha
Do Recife
A grande disparidade educacional entre os nove países em desenvolvimento mais populosos do mundo levou o ministro Paulo Renato Souza (Educação) a propor ontem que não sejam mais estabelecidas metas conjuntas a ser cumpridas pelo grupo. O E-9 foi criado em 93 por sugestão da Unesco e tinha como objetivo unir os países mais populosos que enfrentam dificuldades em garantir acesso à educação.
Entre as metas da época estavam a redução pela metade no número de analfabetos entre 90 e 2000 e a universalização do ensino fundamental. Desde anteontem, representantes dos nove países (Brasil, China, Indonésia, México, India, Paquistão, Bangladesh, Egito e Nigéria) estão em Recife para avaliar o progresso feito e estabelecer novas metas para os próximos dez anos.
Como a realidade educacional dos nove países hoje é muito diferente, Paulo Renato defendeu que a estratégia de definir metas comuns seja abandonada. ‘‘Está na hora de olharmos as peculiaridades de cada país’’, disse Paulo Renato.
A posição dele não foi bem recebida por outros países. ‘‘Seria um retrocesso. É muito importante os nove países continuarem juntos para consolidarem o que foi conquistado na última década, disse o ministro da Educação do Egito, Hussein El Din. ‘‘O Brasil acha que o maior problema educacional hoje é garantir qualidade. Mas essa deve ser uma meta almejada por todos os países. Nada impede colocarmos metas que já foram alcançadas por alguns países, disse El Din.
‘‘Temos de continuar juntos, porque é mais fácil fazer pressão para obter verbas internacionais quando falamos em nome dos nove países mais populosos, disse Zobaida Jalal, ministra do Paquistão.
Na avaliação da Unesco, há quatro países do grupo dos nove – Brasil, China, Indonésia e México – que conseguiram cumprir a maioria das metas estabelecidas, enquanto os outros cinco ainda se esforçam para conseguir garantir acesso à educação a todas as crianças.