São Paulo - Na manhã de ontem, pontualmente às 11 horas, foram implodidos os pavilhões 6, 8 e 9 da Casa de Detenção do Carandiru, na zona norte de São Paulo, pondo um fim na história da penitenciária famosa por abrigar 8 mil presos e ser palco de tragédias como o ''massacre do Carandiru'' e a megarrebelião de 2001. A implosão foi acionada pelo governador Geraldo Alckmim (PSDB), pelo ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, e pelo secretário de Administração Penitenciária do Estado, Nagashi Furokawa, e durou pouco menos que os sete segundos previstos. No local, será construído o Parque da Juventude, onde serão oferecidas atividades culturais, esportivas e educacionais gratuitamente.
Para que a implosão fosse um sucesso, foram necessários 250 quilos de explosivos, espalhados por três mil pontos de perfuração, que transformaram os pavilhões em 80 mil toneladas de entulho. Apesar do procedimento não oferecer riscos, a área foi isolada nas proximidades e o trânsito local ficou interditado até o início da tarde. Para evitar que estilhaços de concreto voassem, a parte inferior dos prédios foi coberta por plástico. Assim que os três pavilhões vieram abaixo, uma densa nuvem de pó espalhou-se pelo local.
Segundo Alckmin, com a implosão dos pavilhões, inicia-se uma nova fase na história do sistema penitenciário brasileiro e um marco para a vida das pessoas que moram na cidade. ''Estamos iniciando um novo momento, substituindo essa megaprisão totalmente inadequada e com uma história muito triste por unidades menores, com segurança e presos trabalhando.''
O projeto prevê ainda a desocupação de outros setores do Complexo Carandiru. Por enquanto, ficam mantidas apenas as unidades que abrigam a Penitenciária do Estado, a Penitenciária Feminina, o Centro Hospitalar e Observação Criminológica do Sistema Penitenciário, a Escola de Administração Penitenciária, a farmácia e as oficinais.
A Casa de Detenção foi inaugurada em 1956 pelo então governador Jânio Quadros. Inicialmente seu projeto previa o abrigo para 3.250 presos, mas com o passar dos anos teve sua capacidade máxima ampliada para 6.300. Em 1975 a penitenciária deixou de abrigar apenas os presos à espera de julgamento, e no início da década de 90 a população oscilou perto dos sete mil, chegando a ter picos de superlotação que ultrapassava os oito mil presos.
Vista como um exemplo de defeitos da execução penal no Brasil, a Casa de Detenção não tinha estrutura física adequada, tamanho seu gigantismo. Com o excesso de consumo de água e ligações elétricas irregulares, a penitenciária oferecia riscos à segurança, além dos inúmeros túneis que abalaram as estruturas das edificações. Os últimos presos da unidade foram retirados em setembro deste ano.

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