Brasília, 18 (AE) - O Brasil cumpriu com folga a meta de Crédito Doméstico Líquido (CDL) fixada no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o mês de setembro. O saldo registrado em setembro ficou R$ 2,630 bilhões abaixo do máximo permitido, segundo mostram dados divulgados hoje pelo chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. O CDL mede a expansão de crédito na economia brasileira e é dado pela diferença entre a base monetária (dinheiro em circulação e reservas bancárias) e as reservas internacionais líquidas. "Isso mostra que o comportamento das reservas internacionais tem sido melhor do que o esperado", comentou Lopes.
É possível, porém, que já não haja metas para o CDL na próxima versão do acordo brasileiro com o FMI, que está sendo negociada desde o início da semana passada. Segundo Lopes, o CDL não é compatível com o sistema de metas de inflação adotado pelo Brasil. Portanto, é possível que seja adotado algum indicador que mostre antecipadamente o comportamento da inflação, em vez do CDL. "Mas essa é uma questão complicada, que ainda está em discussão", afirmou.
Lopes confirmou, ainda, que a nova versão do acordo brasileiro com o FMI embutirá uma estimativa de déficit para a balança comercial neste ano. Originalmente, era esperado um superávit de US$ 11 bilhões para 99. No entanto, a lenta reação das exportações ante a desvalorização do real, a queda no preço internacional das commodities exportadas pelo Brasil e a elevação da cotação do petróleo obrigaram o governo a sucessivas revisões dos cálculos. Na versão do acordo atualmente em vigor, negociada em julho, a estimativa é de um superávit mais modesto, de US$ 1,5 bilhão. O saldo da balança comercial não constitui meta no acordo com o FMI, sendo apenas um elemento utilizado para compor o cenário para a economia brasileira.
Crédito - Lopes divulgou, ainda, dados relativos aos empréstimos efetuados pelo sistema financeiro, que alcançaram um saldo de R$ 261,9 bilhões em agosto. Os empréstimos destinados às pessoas físicas somaram R$ 32,248 bilhões, o que representou um aumento de 2,9% com relação ao mês anterior. De acordo com o BC, é o quarto mês consecutivo de crescimento dos empréstimos às pessoas físicas.
Essas estatísticas ainda não captam os efeitos do pacote para redução dos juros, baixado no início de outubro, nem da redução dos depósitos compulsórios determinada no início de setembro. "Vamos olhar esses dados com mais cuidado de agora em diante", afirmou Lopes. Foi registrado, ainda, um crescimento de 2,9% nos empréstimos bancários destinados ao comércio, que chegaram a R$ 19,218 bilhões em agosto.

mockup