Paris, 21 (AE-AP) - O compromisso que deverá ser formalizado amanhã (22) em Genebra para a escolha do novo diretor geral da OMC, Organização Mundial do Comércio, não conta com o apoio do Brasil, segundo revelou hoje em Genebra o embaixador Celso Amorim, representante brasileiro junto a essa organização. Essas reticências brasileiras deverão ser manifestadas oficialmente amanhã na reunião da OMC, mas o Brasil não tem nenhum interesse em prejudicar a existência de um eventual consenso, se ele existir. Como se sabe, o braço de ferro entre os dois candidatos, o neo-zelandês Mike Moore e o tailandês Supachai caminha para um acordo que prevê a divisão do mandato do diretor geral em dois mini mandatos, de três anos cada um.
Mike Moore, apoiado pelos EUA e França, deverá dirigir a OMC até janeiro de 2003, devendo ser substituído, posteriormente
por seu atual adversário tailandês.
O embaixador Celso Amorim considera desconfortável a situação criada na OMC, lembrando que não se trata de um problema de homens, mas sim de sistema de organização, convencido que esse compromisso de cúpula constitui um precedente perigoso, a seu ver uma espécie de "consenso por agregação" . Ate agora ninguém sabe se a decisão prevê um mandato de seis anos, dividido em dois períodos, ou dois mandatos de três anos cada um. Depois do exercício desses mandatos se estabeleceria o mandato normal de quatro anos. Para o embaixador brasileiro em Genebra essa disputa só contribuiu para criar animosidades entre os países e uma agressividade mútua, um clima que ele não chegou a conhecer quando passou pelo GATT, organismo que antecedeu a OMC. Por tudo isso, o Brasil não considera boa essa solução, pelo menos no plano institucional.
O neo-zelandês Mike Moore dirigirá a OMC, entre os anos 2000 e 2003, coincidindo com o prazo desejado pelos norte americanos para se encerrar a "Rodada do Milênio ", cujo inicio está previsto para o mês de dezembro em Seattle, nos Estados Unidos. Também a Índia, por motivação diversa, espera que essa rodada de negociações possa ser encerrada nesse prazo, mas a França, adota uma postura bem menos ortodoxa em matéria de calendário, mesmo porque quanto mais empurrar com a barriga o fim de negociações em alguns setores específicos, o agrícola, por exemplo, melhor para ela.
Como se sabe ela condiciona o fim dessas negociações ao início das negociações entre o Mercosul e a União Européia, cujo calendário depende das negociações multilaterais da OMC. O representante brasileiro em Genebra não teme que a mudança de comando na OMC dentro de três anos possa prejudicar o fim das negociações, atrasando as negociações para a criação de uma zona de livre comércio entre a Europa e Mercosul. Ele acha razoável que esses dois blocos concluam suas negociações bilaterais, inclusive na área agrícola, após a OMC ter desenhado as normas e regras que vão prevalecer nas relações comerciais multilaterais.

mockup