Brasil considera metas do FMI "pouco ambiciosas"
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 29 (AE) - O governo brasileiro considera as metas para a redução da pobreza mundial, anunciadas na cartilha do Fundo Monetário Internacional, "pouco ambiciosas" e que, para alguns pontos, o prazo de 15 anos é muito longo. Por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire, e por meio de nota divulgada pela Casa Civil, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez questão de salientar que "o Brasil tem metas sociais próprias" e os sete pontos listados pelo FMI abrangem menos áreas sociais do que as já eleitas pelo próprio governo brasileiro.
O porta voz informou ainda que o presidente não vê necessidade de mudanças no acordo com o Fundo porque as metas garantirão as condições macroeconômicas para a redução da pobreza. "Não há porque haver nenhuma revisão", disse Lamazire. "O acordo serve justamente para permitir que o Brasil vá saneando sua economia, baixando a taxa de juros e assegurar os fluxos externos", acrescentou, numa resposta indireta aos aliados que estão defendendo a flexibilização das metas fiscais do acordo com o FMI.
O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, elogiou a iniciativa do FMI, mas destacou o fato de que o Brasil já ter metas mais avançadas. "É ótimo que haja convergência sobre questões de natureza social, mas as metas do FMI são pouco ambiciosas em relação ao Brasil", comentou o ministro. Fernando Henrique também afirmou que o País quer atingir as metas "mais rápido que o próprio FMI indica". Segundo o porta-voz, Fernando Henrique fica "muito satisfeito que o FMI adote essa postura, que sempre foi a postura do Brasil em relação à questão".
Por meio de nota distribuída, a Casa Civil informou que os resultados pretendidos nos sete pontos da cartilha do fundo "estão contemplados nos programas de governo" para a áreas sociais e do Plano Plurianual de Investimentos para o período de 2000 a 2003, "mas representam apenas uma parte daquilo que o governo considera fundamental e quem propõe implementar atualmente". A nota cita como exemplo de medidas adicionais a proteção aos idosos, o combate ao trabalho infantil e os programas para os portadores de deficiência (educação especial).
"O governo considera ainda que, no caso brasileiro, as questões mencionadas podem e devem ser atendidas em prazo inferior aos 15 anos propostos", acrescentou a nota, enumerando programas como o da universalização do ensino básico e a implementação de projeto de desenvolvimento sustentável, "atendidos no projeto Avança Brasil".
Entre os sete pontos colocados pelo FMI, também não estão incluídos programas do governo de reforma agrária e de atendimento ao pequeno agricultor. A nota da Casa Civil também enfatiza que além da necessidade de priorizar a questão social, é preciso melhorar a qualidade dos gastos.
"É fundamental a coordenação e operacionalização mais eficiente e eficaz dos diversos programas e ações, com recursos mais bem focados e melhor utilizados, e com maior controle social." O último item da nota concluí, afirmando que "muito já está sendo feito, mas o déficit social ainda é muito grande. Tudo que possa ser feito para ajudar e acelerar é bem vindo".


