Cientistas da Rede Nacional do Projeto Genoma Brasileiro completaram o primeiro sequenciamento de uma bactéria em ambiente tropical: a Chromobacterium violaceum, típica das margens do Rio Negro, na Amazônia. O trabalho envolveu 200 pesquisadores em 27 laboratórios, espalhados por diversos Estados.

É o sexto genoma sequenciado no País e o primeiro por um consórcio nacional, financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. ''Estamos muito contentes com os resultados'', disse o pesquisador Andrew Simpson, do Instituto Ludwig em São Paulo, que coordena o projeto.

Segundo ele, ''é a primeira vez na história que se sequência uma bactéria de vida livre (que não causa doenças) da região amazônica e que faz parte da biodiversidade brasileira''.

A bactéria produz um pigmento com alto poder bactericida que, segundo os cientistas, pode ser usado no tratamento do mal de Chagas, da leishmaniose e de alguns tipos de câncer. Também contribuiria para a produção de plástico biodegradável e de toxinas antifúngicas, acrescentou.

O Brasil ingressou em 1997 no limitado número de países com projetos de genoma e conseguiu ano passado uma descoberta única: o primeiro sequenciamento genético no mundo de uma praga vegetal, a bactéria ''Xyllela fastidiosa'', que afeta os laranjais do País, primeiro produtor e exportador mundial de suco de laranja do mundo.

Além de efetuar outros sequenciamentos de bactérias daninhas para a agricultura, o Brasil lançou um Projeto de Genoma Humano do câncer, destinado a estudar os tumores mais comuns no País (como o câncer de mama), com base no mesmo método de sequenciamento da bactéria.

''O trabalho sobre o genoma humano do câncer conseguiu o reconhecimento internacional do Brasil'' como um dos países líderes nesse tipo de estudo, segundo Simpson.

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