Brasília, 20 (AE) - O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, disse hoje que o Brasil "já cedeu demais na abertura da economia" e que está na hora de abrir novos mercados para produtos brasileiros, eliminando restrições tarifárias e não-tarifárias, como as barreiras fitossanitárias. Pratini afirmou que o Brasil se atrasou no processo de abertura econômica e que ainda "há algo para abrir", mas reafirmou sua disposição de aumentar as exportações brasileiras, lutando contra práticas protecionistas.
"As exportações brasileiras têm espaço para crescer, o País exporta menos de 7% do Produto Interno Bruto", afirmou.
O ministro, que participou de almoço com representantes da Sadia, da associação dos exportadores de frango e com o embaixador do Irã no Brasil, Fereidoon Haghbin, em Brasília, voltou a criticar os subsídios agrícolas dados pela União Européia, estimados em US$ 60 bilhões (subsídios diretos) e disse que a UE "é um clube de subsídios".
O ministro considera um avanço que os europeus tenham aceitado discutir a questão dos subsídios durante a Cimeira, no Rio de Janeiro. "Esta é a primeira vez que líderes políticos da EU admitem conversar sobre produtos agrícolas."
Na avaliação do ministro, isso significaria a possibilidade de abrir mercados. Pratini disse que o País não espera que a EU vá reduzir seus subsídios, "isso vai se impor por questões internas, orçamentárias", afirmou. Mas disse que a tarefa do País é abrir mercados, eliminando restrições tarifárias e não-tarifárias.
O ministro afirmou que outros países também são afetados pela política protecionista da União Européia. Dessa forma, o Brasil deve atuar em conjunto com o grupo de Cairns, num esforço para reduzir os subsídios na Rodada do Milênio. Na Rodada Uruguai do Gatt, houve uma redução de 36% nos subsídios da EU e a expectativa é de nova redução na Rodada do Milênio.
O ministro defendeu o aumento das exportações de produtos de maior valor agregado, como o frango. Ele comparou o preço do frango na exportação, que está em cerca de US$ 1.200,00 por tonelada, com o do farelo de soja, que está em US$ 232,00 por tonelada.

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