Brasil capta com bônus 700 milhões de euros
São Paulo, 8 (AE) - O Brasil emitiu hoje seus primeiros títulos de dívida externa em euros. Os bônus, no total de 700 milhões de euros (US$ 714 milhões) e com prazo de três anos, ofereceram um juro nominal alto, de 9,7% ao ano, para atrair os investidores, que ainda estão avessos a papéis brasileiros. A remuneração inicial ficou em 6 pontos porcentuais acima dos títulos comparáveis do governo francês.
A captação de hoje foi a maior já feita por um país latino-americano em euros e a segunda do Brasil no exterior este ano - a primeira foi uma emissão de US$ 3 bilhões em bônus globais denominados em dólares em abril.
Apesar do custo, o resultado da operação, inicialmente prevista pelo governo em 500 milhões de euros, foi muito comemorado pela equipe econômica. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse, por meio da assessoria, que "a emissão foi um sucesso; superou nossas expectativas". Para ele, "a qualidade da distribuição foi excelente, atingindo base ampla de investidores".
O diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, e o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, disseram em Londres que existe a possibilidade de novas emissões nos próximos meses, sem informar se serão denominadas em dólar ou euro, o que dependerá das circunstâncias econômicas. Eles adiantaram que as próximas emissões, destinadas a manter uma "presença sistemática" do Brasil no mercado internacional, devem ter prazo de 5 a 7 anos.
Os prazos variados são necessários para oferecer referências diversas para as futuras captações privadas. Entres as empresas européias que estavam aguardando a emissão soberana para captar para seus próprios negócios no Brasil, analistas citaram Telefônica, Portugal Telecom e Endesa.
O mercado não ficou tão entusiasmado quanto o governo, mas viu aspectos positivos na operação. Apesar de considerar a emissão pequena - esperava-se US$ 1 bilhão - o economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, disse que a operação é importante para o País voltar ao mercado europeu, cria referência para outras captações. "Não foi uma maravilha, mas foi o melhor possível." Para o economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya (BBV), Octávio de Barros, o preço foi "salgado".
Mercado - O mercado considerou excessivamente alto o preço pago pelo governo brasileiro na primeira emissão da República denominada em euros. O juro nominal de 9,70% ao ano ficou acima das emissões feitas anteriormente por grupos brasileiros. Para se ter uma idéia, o Unibanco captou 53 milhões de euros pagando 7,75% ao ano no dia 14 de maio. Em abril, a Bombril fechou uma emissão de bônus de 63 milhões de euros, com juro anual de 9,25% ao ano.
É certo que existem diferenças entre essas operações, como prazo, emissor e período. A operação do Unibanco, por exemplo, foi feita a partir de Grand Caymam (um paraíso fiscal, o que diminui o risco cambial da operação) com um prazo menor que o da emissão de ontem - dois anos, ante os três da República. E a da Bombril contou com o aval da controladora italiana, a Cirio, o que muda o perfil do risco da operação. Em contrapartida, o prazo longo de vencimento da Bombril, de oito anos, torna a operação mais onerosa.





