Brasília, 28 (AE) - O Brasil voltou hoje ao mercado europeu e captou mais 500 milhões em euros, o equivalente a US$ 525 milhões. Foi o terceiro lançamento do País naquele mercado este ano e, segundo o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, a programação inicial era vender 300 milhões em papéis. "Mas a demanda foi grande e decidimos aumentar", afirmou. Ele admitiu a possibilidade de vender mais destes títulos nas próximas três semanas.
Os papéis brasileiros, que têm prazo de sete anos, foram vendidos por 99,5% do valor de face com juros de 12% ao ano. O que garante um retorno aos investidores de 12,11% ao ano. Com estas taxas, os títulos ficaram 6,85% mais caros que os papéis do Tesouro da Alemanha do mesmo prazo. Com o novo lançamento, o Brasil agora tem papéis no mercado europeu com prazo de três, cinco e sete anos.
Gleizer destacou que, além de elevar as reservas do País e garantir mais recursos para o Banco Central combater as oscilações do dólar no mercado, o lançamento de títulos tem o objetivo também de dar uma referência de custo para o setor privado. Ou seja, quando as empresas brasileiras quiserem captar em euros, elas já terão referências dos custos e dos prazos.
Um total de 65% dos primeiros 300 milhões em papéis lançados foram adquiridos por investidores institucionais como os fundos de pensão, por exemplo. Os 35% restantes foram vendidos no varejo.
Estes investidores são, principalmente, da Itália, Alemanha, Suíça, Reino Unido, Portugal e Espanha. Embora o Brasil continue captando recursos no exterior com taxas mais altas que aquelas obtidas pela Argentina, Gleizer disse que as taxas cobradas dos dois países estão mais próximas. E explicou que esta aproximação deve-se à melhora do risco Brasil. "E não é porque a Argentina está piorando", disse.
Até o final do ano, segundo o diretor do BC, o Brasil poderá voltar a lançar novos papéis. Ele destacou que é preciso ter condições para emitir rapidamente para aproveitar as eventuais oportunidades que surgem no mercado. O preço do título vendido hoje, segundo avaliação de Gleizer, foi muito bom. Embora com a aproximação do final do ano e as possibilidades de problemas nos sistemas de computador, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que nas últimas duas semanas houve uma melhora no mercado, o que favoreceu o lançamento de.

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