Brasil capta 300 milhões em euros no mercado europeu
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 09 (AE) - O Brasil voltou hoje ao mercado europeu e captou 300 milhões em euros, o equivalente a US$ 315 milhões. Os novos papéis têm prazo de cinco anos e foram vendidos com taxa de 11,25% ao ano. Segundo avaliou o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, a emissão foi um sucesso e servirá como referência para captações do setor privado. Esta foi a terceira emissão do País este ano e Gleizer anunciou que se as condições forem boas, outros lançamentos serão feitos no mercado europeu ainda este semestre.
O diretor disse que os juros que serão pagos pelo governo brasileiro na emissão de hoje ficaram 6,95 pontos percentuais acima da taxa paga pelo Tesouro alemão em papéis com o mesmo prazo. Em relação a títulos do Tesouro dos Estados Unidos, também de cinco anos, a taxa foi superior em 7,75%. Abaixo, portanto, dos 8,53% que hoje são cobrados pelos investidores na negociação dos bonus globais lançados pelo Brasil no mercado americano em abril último. Ele considerou que o mercado europeu é hoje uma boa alternativa de financiamento em relação ao mercado americano.
Gleizer explicou que no momento o mercado internacional está "mais hostil" aos países emergentes e mesmo assim o Brasil conseguiu lançar um papel pagando mais barato. Ao assegurar que a emissão de hoje foi boa para o País, ele disse também que está havendo uma retração aos financiamentos em todo o mercado por causa do "bug do milênio", a possibilidade de haver uma pane nos computadores na virada do ano. Esta preocupação, segundo ele, fez as taxas subirem em todo o mundo, inclusive para os países desenvolvidos.
Os bonus emitidos hoje foram vendidos com um preço correspondente a 98,5% do valor de face do papel. Ou seja, com um pequeno deságio. Isso significa, segundo Gleizer, que o mercado internacional melhorou a sua avaliação sobre o risco Brasil. Ele destacou que os tumultos ocorridos no mercado interno, nos últimos dias, não prejudicou a avaliação dos investidores que sempre avaliam as condições do País considerando um prazo mais longo.
Segundo Gleizer, a divulgação do orçamento para o próximo ano e do Programa Plurianual demonstrou aos investidores que o Brasil está mantendo o objetivo de crescer com estabilidade. Sob a coordenação dos bancos ABN Amro, da Holanda, e Paribas, da França, o papel brasileiro foi demandado principalmente por investidores alemães, portugueses e italianos. Mas alguns investidores japoneses também compraram o papel. Segundo Gleizer, a soma do deságio mais os juros que o Brasil pagará garantirá a estes investidores um rendimento de 11 53% ao ano.


