Brasil cai no ranking de desenvolvimento
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quarta-feira, 14 de julho de 2004
Agência Folha 
São Paulo, SP- A queda da taxa de alfabetização no Brasil foi um dos principais fatores a levar o país a perder sete posições no ranking mundial de desenvolvimento humano, passando a ocupar o 72º lugar, de um total de 177 países. No ano passado, o Brasil havia ficado em 65º.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador da Organização das Nações Unidas (ONU) que avalia os avanços de cada país em três aspectos: esperança de vida, educação e Produto Interno Bruto (PIB) per capita. O indicador também leva em conta dados como a distribuição da riqueza e a desigualdade entre os gêneros.
O resultado é apontado pelo relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que está sendo apresentado em Bruxelas.
O ranking foi publicado ontem. A situação no Brasil foi considerada pior do que a de seus mais importantes parceiros econômicos na América Latina, com a exceção do Paraguai, pois os outros integrantes do Mercosul obtiveram um desenvolvimento humano alto.
A Argentina ficou em 34º lugar e o Uruguai, em 46º, enquanto o Chile e o México, países associados ao bloco econômico, ficaram em 43º e 53º, respectivamente.
Segundo o Relatório sobre Desenvolvimento Humano 2004, o IDH do Brasil foi de 0,775, dois centésimos abaixo do registrado no relatório anterior, de 0,777.
O PNUD divide os países em três grandes grupos em relação a seu grau de desenvolvimento: nações com um desenvolvimento humano ''alto'', ''médio'' e ''baixo''. O Brasil é ''médio''.
Apesar de o PIB por habitante de US$ 7.770 ser comparável ao de alguns países com desenvolvimento humano considerado alto, como o Uruguai, o relatório mostra que o Brasil tem uma distribuição de renda desigual.
O estudo do PNUD indica que, em 1998, 20% da população mais pobre do Brasil tinham acesso a apenas 2% da renda ou do consumo, enquanto os 20% mais ricos ficavam com 64,4% da riqueza.
Além disso, em 2002, 8,2% da população tinham uma renda igual ou inferior a um dólar por dia. A Costa Rica (42º) e Cuba (52º) também obtiveram a classificação de alto desenvolvimento humano.
Além do Brasil, estão incluídos no grau ''médio'' do estudo todos os outros países latino-americanos: Panamá (61º), Venezuela (68º), Colômbia (73º), Peru (85º), Paraguai (89º), República Dominicana (98º), Equador (100º), El Salvador (103º), Bolívia (114º), Honduras (115º), Nicarágua (118º) e Guatemala (121º).
E isso apesar de o PIB do Brasil ter subido em 2002 na comparação com 2001, quando foi de US$ 7.360 por habitante, e de a esperança de vida ao nascer ter aumentado de 67,8 para 68 anos.
A perda de posições do Brasil foi provocada, entre outros motivos, por uma diminuição da taxa de alfabetização entre os adultos (maiores de 15 anos), que diminuiu de 87,3%, em 2001, para 86,4%, no ano seguinte.
Além disso, 8% das crianças e dos jovens estavam fora da escola em 2002.
A Noruega, com um IDH de 0,956, ficou em primeiro lugar no ranking deste ano, que inclui 177 países. O país com pior colocação foi Serra Leoa, com um índice de 0,273.


