Brasil avalia efeitos do Plano Colômbia
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quinta-feira, 02 de novembro de 2000
Tânia Monteiro Agência Estado De Brasília 
Os chefes da área de inteligência do Brasil, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Equador e Peru vão promover, a cada 30 ou 40 dias, reuniões para avaliar os possíveis efeitos do Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico na região, que deverá ser deflagrado em janeiro.
A primeira reunião foi realizada no final de setembro e a próxima está prevista para este mês de novembro, em país ainda a ser definido. Mas se nenhum país se dispuser a preparar o próximo encontro, o Brasil está disposto a organizá-lo novamente aqui.
A informação foi prestada pelo ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso. Ele defendeu a necessidade de integração das inteligências dos países vizinhos para municiarem seus governos de informações que permitam um eficiente ataque aos traficantes, sem que o extermínio deles em uma região signifique pura e simplesmente a sua transferência para outro local. Para o general, com a troca de informações, será mais fácil combater o narcotráfico.
O general Cardoso negou ainda que o Brasil seja o principal fornecedor de produtos químicos para a fabricação e refino da droga na Colômbia. Podem até ser encontrados insumos vindos do Brasil mas eles não são preponderantes, reagiu, lembrando que o País tem controle sobre a fabricação desse tipo de produto. Mas alguns desses países que reclamam, na verdade, é que são os principais fornecedores, acrescentou ele, evitando citar os Estados Unidos, a quem se referia, principalmente. Dados disponíveis pelo governo apontam que o Brasil hoje não chega a fornecer nem 1% dos insumos para refino das drogas.
Segundo o general Cardoso, há uma disposição muito grande do Brasil de atacar esse tipo de problema e detectar possíveis fornecedores desses produtos. Como prova, citou que, em fevereiro, quando começaram a surgir informações insistentes de que o País seria fornecedor de insumos para o refino da cocaína, ele mesmo pediu ao ministro da Defesa colombiano que mandasse a relação das firmas colombianas onde foram apreendidos os produtos, assim como o nome das firmas que os venderam, para que o governo brasileiro pudesse fazer uma ampla fiscalização nelas. Acredito que o ministro tenha encontrado dificuldades porque até hoje o nosso pedido não foi atendido, comentou.
Na opinião do general, não há indicações de que possa haver transferência de laboratórios de refino de drogas da Colômbia para o Brasil, mas a polícia está atenta para coibir qualquer movimentação.
Para isso, essa integração entre os serviços de inteligência é importante, acrescentou, advertindo que já houve intensificação de patrulhamento nas fronteiras brasileiras, a partir do início da Operação Cobra.
O general Cardoso reiterou que há uma preocupação muito grande do governo federal por causa do avanço do crime organizado. O crime está mais organizado do que nós, insistiu ele, ao defender união entre as polícias para combater não só o narcotráfico, quanto outros tipos de crimes. Ele salientou ainda que o crime organizado só será de fato atingido quando a lavagem de dinheiro for eficazmente combatida.
Para ele, os sucessivos ataques seguidos de mortes a policiais militares no Rio de Janeiro são uma tentativa de intimidação. Mas ele ressalvou que o número de baixas ocorrido este ano está menor do que o do ano passado. Para combater esses crimes, salientou, não basta ação das polícias, mas é necessária a mobilização da sociedade.
Encontramos o crime organizado em um patamar de estruturação mais organizado que os próprios sistemas de segurança pública, declarou ele, ressalvando, no entanto, que muitas ações estão sendo desencadeadas, inclusive o Plano Nacional de Segurança Pública, que começará a apresentar resultados.


