Os chefes da área de inteligência do Brasil, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Equador e Peru vão promover, a cada 30 ou 40 dias, reuniões para avaliar os possíveis efeitos do Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico na região, que deverá ser deflagrado em janeiro.
A primeira reunião foi realizada no final de setembro e a próxima está prevista para este mês de novembro, em país ainda a ser definido. Mas se nenhum país se dispuser a preparar o próximo encontro, o Brasil está disposto a organizá-lo novamente aqui.
A informação foi prestada pelo ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso. Ele defendeu a necessidade de integração das inteligências dos países vizinhos para municiarem seus governos de informações que permitam um eficiente ataque aos traficantes, sem que o extermínio deles em uma região signifique pura e simplesmente a sua transferência para outro local. Para o general, com a troca de informações, será mais fácil combater o narcotráfico.
O general Cardoso negou ainda que o Brasil seja o principal fornecedor de produtos químicos para a fabricação e refino da droga na Colômbia. ‘‘Podem até ser encontrados insumos vindos do Brasil mas eles não são preponderantes’’, reagiu, lembrando que o País tem controle sobre a fabricação desse tipo de produto. ‘‘Mas alguns desses países que reclamam, na verdade, é que são os principais fornecedores’’, acrescentou ele, evitando citar os Estados Unidos, a quem se referia, principalmente. Dados disponíveis pelo governo apontam que o Brasil hoje não chega a fornecer nem 1% dos insumos para refino das drogas.
Segundo o general Cardoso, há uma disposição muito grande do Brasil de atacar esse tipo de problema e detectar possíveis fornecedores desses produtos. Como prova, citou que, em fevereiro, quando começaram a surgir informações insistentes de que o País seria fornecedor de insumos para o refino da cocaína, ele mesmo pediu ao ministro da Defesa colombiano que mandasse a relação das firmas colombianas onde foram apreendidos os produtos, assim como o nome das firmas que os venderam, para que o governo brasileiro pudesse fazer uma ampla fiscalização nelas. ‘‘Acredito que o ministro tenha encontrado dificuldades porque até hoje o nosso pedido não foi atendido’’, comentou.
Na opinião do general, não há indicações de que possa haver transferência de laboratórios de refino de drogas da Colômbia para o Brasil, mas a polícia está atenta para coibir qualquer movimentação.
‘‘Para isso, essa integração entre os serviços de inteligência é importante’’, acrescentou, advertindo que já houve intensificação de patrulhamento nas fronteiras brasileiras, a partir do início da Operação Cobra.
O general Cardoso reiterou que há uma preocupação muito grande do governo federal por causa do avanço do crime organizado. ‘‘O crime está mais organizado do que nós’’, insistiu ele, ao defender união entre as polícias para combater não só o narcotráfico, quanto outros tipos de crimes. Ele salientou ainda que o crime organizado só será de fato atingido quando a lavagem de dinheiro for eficazmente combatida.
Para ele, os sucessivos ataques seguidos de mortes a policiais militares no Rio de Janeiro ‘‘são uma tentativa de intimidação’’. Mas ele ressalvou que o número de baixas ocorrido este ano está menor do que o do ano passado. Para combater esses crimes, salientou, ‘‘não basta ação das polícias, mas é necessária a mobilização da sociedade’’.
‘‘Encontramos o crime organizado em um patamar de estruturação mais organizado que os próprios sistemas de segurança pública’’, declarou ele, ressalvando, no entanto, que muitas ações estão sendo desencadeadas, inclusive o Plano Nacional de Segurança Pública, que começará a apresentar resultados.

mockup