São Paulo, 27 (AE) - O Brasil atraiu no ano passado US$ 29 bilhões em investimentos diretos estrangeiros, ocupando o segundo lugar no ranking do fluxo externo para os países emergentes. O primeiro lugar, mais uma vez, foi ocupado pela China, que atraiu US$ 45 bilhões. Os dados constam do Relatório sobre Investimentos no Mundo, da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), considerado o mais completo e qualificado documento sobre as tendências dos investimentos internacionais no mundo. As informações estão sendo divulgadas hoje pela organização com sede em Genebra, na Suíça.
A onda de fusões e aquisições no ano passado favoreceu um crescimento de quase 40% no investimento direto estrangeiro, que atingiu a marca histórica de US$ 644 bilhões. Para este ano, a Unctad prevê um novo recorde. Segundo o documento, os cinco maiores países em desenvolvimento receberam metade do total dos investimentos diretos nos emergentes. A crise financeira no ano passado não impediu que o fluxo de investimento para os países em desenvolvimento continuasse elevado, totalizando US$ 166 bilhões, apenas US$ 6,6 bilhões abaixo do recorde batido em 1997.
O secretário-geral da Unctad, Rubens Ricupero, alerta, no entanto, que as expectativas sobre os benefícios dos investimentos nos países em desenvolvimento podem ser exageradas. "Num mundo em crescente globalização e liberalização o crescimento só poderá ser sustentado se os países adotarem novas atividades de maior valor agregado para produzir bens e serviços que garantam seu lugar em mercados abertos", afirmou Ricupero.
O relatório aponta os desafios para os governos diante do rápido surgimento de um sistema de produção internacional cujo centro é o investimento direto externo das corporações transnacionais. Fazem parte do sistema cerca de 60 mil multinacionais, que respondem por 25% da produção global. As vendas destas corporações e suas 500 mil filiadas estrangeiras somaram US$ 11 trilhões no ano passado, muito acima, portanto, das exportações globais estimadas em US$ 7 trilhões. relação das maiores corporações elaborada pela Unctade é encabeçada pela General Electric, seguida de perto pela Ford Motor Company e pelo grupo Royal Dutch Shell.
Dos US$ 644 bilhões em fluxo de investimento direto registrados no ano passado, apenas US$ 166 bilhões foram destinados aos países em desenvolvimento. Isto mostra que a participação dos emergentes no total de investimentos diretos declinou de 37% em 1997 para 26% em 1998. A América Latina atraiu US$ 72 bilhões da parcela do fluxo para os países em desenvolvimento, enquanto a ásia ficou com US$ 85 bilhões e a Europa do Leste e Central, com US$ 18 bilhões. Os países desenvolvidos receberam US$ 460 bilhões em investimentos diretos
dos quais US$ 230 bilhões foram para a União Européia, US$ 193 bilhões para os EUA e US$ 3,2 bilhões para o Japão.

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