Lisboa,9 (AE) - O Brasil foi o País que mais atraiu investimentos estrangeiros na América Latina em 1999, ficando com US$ 31 bilhões do total de US$ 97 bilhões que foram para o continente. Estes são dados preliminares de um estudo da UNCTAD (Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, divulgado hoje na Europa, e que coloca o Brasil pelo segundo ano consecutivo como o principal país para o investimento estrangeiro na América Latina.
Segundo o estudo, que prepara a conferência da UNCTAD que vai realizar-se de 12 a 19 de fevereiro na Tailândia, em 1999 a América Latina teve um crescimento do investimento de 32% em relação ao ano anterior. O estudo conclui que o principal motivo para a entrada de novos capitais no continente foram as privatizações.
Com o crescimento, a América Latina e o Caribe ultrapassaram a ásia entre as regiões em desenvolvimento no investimento externo direto - os asiáticos tiveram US$ 91 bilhões, sendo o país com maior fluxo a China, que atraiu US$ 40 bilhões. O destaque asiático foi a Coréia do Sul, que teve um crescimento de 55% no investimento externo, alcançando US$ 8,5 bilhões.
Recorde de investimento estrangeiro - Segundo o estudo, o ano de 1999 teve um crescimento de 25% no investimento externo direto em âmbito global, ultrapassando pela primeira vez a marca dos US$ 800 bilhões . Em 1998, o investimento externo direto tinha alcançado US$ 660 bilhões, mais 41% do que em 1997. Em 1999, os países desenvolvidos foram os maiores beneficiados com o fluxo de capital, ficando com uma fatia de 609 bilhões, quase 75% do total.
Fusão - Na avaliação do estudo, o principal motor do crescimento dos fluxos de capital foram as fusões e aquisições de empresas, que nos países desenvolvidos são o principal motivo para o fluxo de capital e nos países em desenvolvimento têm uma importância crescente. Em 1999, o total anunciado dos processos de fusões e aquisições transfronteiriços teria atingido US$ 1,1 trilhão.
O crescimento do número de processos de fusões e aquisições teria três motivos principais: comercial, ou seja, o excesso de capacidade e a diminuição da demanda em determinados setores industriais; estratégico, com a partilha dos custos de investimentos em tecnologias de informação e em pesquisa e desenvolvimento; e político, com a desregulamentação de mercados.
O país com maiores investimentos externos foi a Grã-Bretanha, que pela primeira vez desde 1988 ultrapassou os Estados Unidos. A União Européia teve investimentos externos diretos num total de US$ 269 bilhões, o que significou um crescimento de 14% em relação ao ano anterior.
No Japão, o valor do investimento direto externo atingiu 14 bilhões, enquanto em 1998 tinha sido de apenas US$ 3 bilhões. Em relação ao investimento japonês no exterior, ocorreu um ligeiro declínio, de US$ 24 bilhões para US$ 23 bilhões, tendo apenas uma operação consumido US$ 7,8 bilhões: a compra dos negócios de cigarros da RJR Nabisco pela Jappan Tobacco.
Os países da Europa Central e Oriental tiveram um fluxo semelhante ao ano anterior, ficando nos US$ 20 bilhões de investimentos externos.