Zurique, 10 (AE-AP) - A popularidade de Ronaldinho, o brasileiro que mais foi notícia no mundo do futebol nos últimos anos, é uma das armas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para trazer o Mundial de 2006 para o País. O atacante da Internazionale de Milão esteve presente, hoje, à cerimônia de apresentação oficial da candidatura brasileira. Ele vestia paletó e gravata e teve direito a um breve discurso. Zico e os capitães da seleção brasileira nos títulos mundiais de 1970, Carlos Alberto Torres, e 1994, Dunga, também compareceram à sede da Fifa, em Zurique, para prestigiar a campanha brasileira para patrocinar, pela segunda vez, um Mundial.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no entanto, não pôde contar com o apoio de Pelé, que declarou ser contra a candidatura brasileira para 2006, por achar que o País tem outras prioridades, no campo social. Os capitães das campanhas vitoriosas de 1958, Bellini, e 1962, Mauro, também se recusaram a apoiar a CBF.
"Quero que respeitem nossa candidatura, porque é um assunto sério", disse Teixeira, que é um dos 24 componentes do Comitê Executivo da Fifa e, como tal, será um dos votantes na definição
em julho, da sede da segunda Copa do Mundo do próximo século. "É muito importante termos o apoio do povo e da imprensa brasileira, mas mais importante ainda é o respaldo dos integrantes do Comitê Executivo, que serão os eleitores."
Para Zico, a ausência de Pelé não compromete a campanha brasileira. "Não precisamos do Pelé para conseguir uma Copa do Mundo", afirmou o ex-jogador, que foi o coordenador-técnico da seleção no Mundial do ano passado, na França. "Quando ele criticou a candidatura do País, não conhecia o trabalho que estamos fazendo."
Chamou a atenção da imprensa a leveza do documento elaborado pela CBF, comparado às publicações, de mil a 1,5 mil páginas, dos cadernos da Inglaterra e áfrica do Sul. Catorze estádios são listados no caderno de encargos da CBF.
Se o Brasil for eleito para organizar o Mundial, a Fifa escolherá pelo menos oito estádios da relação. Eles, então, terão de passar por obras para atender às exigências da entidade.
A candidatura alemã, apresentada, também hoje, pelo ex-jogador e técnico da seleção do país Franz Beckenbauer, atual presidente do Bayern de Munique, incluiu um festival bávaro de cerveja, com música tradicional. "Todos têm as mesmas oportunidades", disse Beckenbauer, sobre o sucesso da campanha alemã, enquanto tomava uma cervejinha com o suíço Joseph Blatter, o presidente da Fifa.
A Inglaterra, que polariza com a Alemanha as atenções para as candidaturas européias e apresentou seu caderno de encargos na segunda-feira, juntamente com a áfrica do Sul e Marrocos, decidiu apelar para o marketing extracontinental e, por meio do primeiro ministro Tony Blair, pediu o apoio oficial da Confederação Sul-Americana de Futebol (CSF). Blair enviou uma carta ao presidente da CSF, o paraguaio Nicolás Leóz, em que manifestava a sua "esperança pessoal" de que a entidade conceda à Inglaterra "a oportunidade de ser anfitriã de um Mundial".
Os ingleses, que organizaram, e venceram, a Copa de 1966, lutam pela chance de ser o quarto país a ser sede de duas competições - o México (1970 e 86), a Itália (1934 e 90) e a França (1938 e 98) foram os outros. A Alemanha organizou, e ganhou, o de 74, e o Brasil promoveu o de 50.

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