Porto Seguro, BA, 29 (AE) - A exemplo do que ocorre nas florestas, a riqueza em diversidade biológica dos mares tropicais frequentemente se traduz por pequenas populações de cada espécie. Isso limita a atividade pesqueira industrial, dependente de grandes estoques de uma mesma espécie e tem deixado o Brasil, historicamente, fora de grandes mercados.
O que o país não sabia, até 1995, é que nossa Zona de Exclusividade Econômica (ZEE) esconde águas frias em profundidades e ali vivem espécies comercialmente importantes e inexploradas. O levantamento destes recursos biológicos, assim como dos ambientes que os abrigam, é uma exigência da Convenção sobre o Direito do Mar, que o país assinou em 1982 e entrou em vigor em 1994. O Brasil precisa saber quais os recursos biológicos existentes em toda a região compreendida entre 12 e 200 milhas náuticas a partir da costa e ao redor das ilhas oceânicas, além de quantificar esses recursos e avaliar o potencial de exploração sustentável.
O estudo chamado ReviZEE vem sendo realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o apoio da Marinha e outros ministérios. Os resultados ainda são parciais mas já se descobriu por exemplo no litoral sul uma grande população de caranguejos vermelhos, semelhantes aos comercializados pelo Alasca (King Crabs). Eles habitam águas frias a 400 metros de profundidade e podem ser capturados com armadilhas. No Nordeste, a 300 metros de profundidade, existe um peixe de fundo chamado batata, de valor comercial. E em alto mar há correntes ou ressurgências (afloramento de águas frias) por onde passam cardumes de atuns, igualmente valorizados pela indústria.
O ReviZEE já consumiu R$ 8 milhões nesses 4 anos e demandará mais R$ 6 milhões para ser concluído até 2002. Além dos recursos desconhecidos está sendo avaliado o status da espécies tradicionalmente capturadas para se propor medidas de recuperação das populações superexploradas, como as sardinhas. A par dos peixes e crustáceos de profundidade, o Brasil explora mal as suas algas. Com exceção de duas ou três espécies coletadas na Paraíba por uma indústria de ágar-ágar (espécie de gelatina) e do uso artesanal em cosméticos, as 800 espécies de algas registradas no litoral brasileiro são ignoradas pelos mercados farmacêuticos e alimentícios.
"Temos inclusive um dos maiores bancos de algas calcáreis na Costa do Espírito Santo, bastante subexplorado" diz Eurico Cabral, da Universidade de São Paulo. As algas calcárias servem para a extração de carbonato e cálcio, de uso agrícola. "Além de corrigir o pH ácido do solo este calcário marinho contém micro nutrientes importantes para as plantas", acrescenta. A maioria das fortificações do século 18 de toda a costa brasileira tem calcário marinho na construção, mas a exploração comercial atual está enterrada por falta de estudos que determinem o limite da sustentabilidade.

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