Brasil ainda registra alto índice de tétano neonatal
A realização de partos caseiros, aliada à falta de atendimento médico em regiões de difícil acesso, continua gerando índices significativos de tétano neonatal na América Latina. Mesmo apresentando quedas significativas nos últimos anos, dos 162 casos registrados em crianças recém-nascidas em 1999, 40% ocorreram no Brasil.
Os números foram discutidos durante a 14ª Reunião de Doenças Preveníveis, promovida pela Organização Panamericana de Saúde (Opas) e sediada este ano em Foz do Iguaçu. Ontem à tarde foram apresentados dados do pesquisador da Divisão de Vacinas e Imunização da Opas, Maurício Landaverde. O levantamento aponta a redução dos casos que passaram de 1.427 (em 1989) para 162 no ano passado.
Mesmo sendo o Brasil responsável pelo maior número de ocorrências (63 em 1999), proporcionalmente a situação é melhor que a de outros países da América Latina. Setenta e três por cento dos casos ocorrem em áreas rurais, mostram as pesquisas de Landaverde.
Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações da Funasa, Maria de Lourdes Souza, as parteiras que atendem em colônias e vilarejos principalmente no Norte e Nordeste ajudam a agravar a situação. O trabalho destas mulheres, aliado aos hospitais com deficiências no serviço de imunização e higiene, contribui para a existência destes índices, disse.
Na opinião do diretor da Divisão de Vacinas e Imunização da Opas, Ciro Quadros, com a intensificação das campanhas de vacinação em mulheres durante a idade fértil (mesmo as que não estão grávidas), foram registrados no Brasil 21 casos de tétano neonatal de janeiro a setembro deste ano.
A Funasa também segue as determinações da entidade, fazendo a aplicação de duas doses da vacina. A aplicação incompleta foi responsável, no período de 1997 a 1999, por 62% da incidência da doença em crianças recém-nascidas de toda América Latina. (Emerson Dias, de Foz do Iguaçu)





