Brasil admite ampliar prazo de negociação com a UE
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Carla Franco 
São Paulo, 10 (AE) - O governo brasileiro está disposto a ampliar o período de negociação para a criação da zona de livre comércio entre a União Européia e o Mercosul, com o objetivo de incluir o setor agrícola no acordo. A informação é do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, que participou hoje em São Paulo do seminário Diálogo para o Milênio, evento realizado no Memorial da América Latina, preparatório para Cimeira do Rio, reunião da Cúpula da América Latina-Caribe e Europa que será realizada nos dias 28 e 29 próximos.
Lafer foi enfático ao afirmar que, sem as regras para os produtos agrícolas, as negociações não vão avançar. "Não haverá acordo sem o setor agrícola", ressaltou.
As negociações com a União Européia, que serão iniciadas em 2000, não têm data para terminar. O ministro defende a ampliação do prazo, em razão das dificuldades criadas pela UE em torno da redução dos subsídios para os produtos agrícolas. Para ele, seria conveniente que o período de negociação fosse dilatado até 2005, quando termina o prazo para o acordo em torno da área de Livre Comércio das Américas (Alca).
A criação de uma zona de livre comércio entre União Européia e Mercosul levaria, na prática, à redução dos subsídios para o setor. De maneira geral, toda a Europa subsidia sua agricultura, particularmente a França, que tem dificultado a abertura das negociações.
"Em face das dificuldades da União Européia em produzir um mandato negociador abrangente, o Brasil já trabalha com a hipótese de prazos mais dilatados para a evolução das negociações, desde que incluam todos os setores, notadamente, o agrícola", afirmou Lafer, em sua palestra. Para o ministro, "mais importante que a velocidade desse processo é seu rumo e abrangência".
Em sua opinião, caso não haja acordo, o Brasil não será o único prejudicado. "Se fizermos as negociações apenas no âmbito da Alca, as empresas européias passarão a ter difículdades de acesso ao mercado brasileiro e, provavelmente, não será do interesse delas", afirmou.


